Delfim Netto
Ajuda
externa
Os rumos da política nos próximos anos estão sendo decididos neste domingo pelo voto dos cidadãos brasileiros que estão escolhendo seus representantes no Congresso, nas Assembléias Legislativas, nos governos estaduais e - se as pesquisas confirmarem - o presidente da República. Nos estados com maior densidade eleitoral, como São Paulo, as pesquisas prevêem a realização de um segundo turno para governador.
Já os rumos de nossa economia, infelizmente, estão sendo determinados a alguns milhares de quilômetros daqui, nas reuniões dos econocratas de Brasília com a burocracia econômica internacional, na capital norte-americana. Não seria nada extraordinário ou vexaminoso se a propaganda oficial não tivesse escondido cuidadosamente do povo brasileiro as causas dos atuais problemas de nossa economia e o tamanho da conta a pagar.
O presidente aceitou a sugestão de prevenir a população sobre o fato que há ‘‘medidas duras’’ a tomar para enfrentar a crise, mas evitou explicar a natureza da crise e suas consequências. A realidade é que as turbulências externas explicam apenas uma parte do problemas que nasceu e prosperou, entre nós, graças à enorme barbeiragem cometida na política de câmbio pelo Banco Central. Não tem nada a ver com o sucesso do Plano Real no combate à inflação e sim com a preferência de seus economistas pela especulação financeira, em detrimento do crescimento e do emprego.
Eles acreditaram que sempre haveria um número suficiente de pacóvios no exterior com disposição de financiar os desequilíbrios de nossas contas externas e internas. Esticaram ao máximo a irresponsável política de juros, impedindo o crescimento da economia e a quebra de empresas, altos níveis de desemprego, uma enorme dívida interna e uma situação delicadíssima nas contas externas.
O mais grave é que nada disso era necessário para o processo de estabilização. A rigidez cambial impediu a expansão das exportações, que era a vertente principal para nos levar ao crescimento da economia, sem constrangimento externo. Poderíamos estar crescendo e nos beneficiando do processo de estabilização. Hoje, estamos dependendo da boa vontade dos organismos internacionais para reduzir os custos do ajuste que terá que ser feito nas contas internas e externas até que se possa pensar em recuperar as condições para o crescimento. Temos uma dívida interna que cresce 50% ao ano, muito mal financiada, com papéis pós-fixados e correção cambial. E temos uma dívida externa crescente, causada pela acumulação de déficits em conta corrente.
Para corrigir essa situação, o governo terá que adotar medidas de contenção de despesas e provavelmente recorrerá a novos aumentos de impostos. Significa mais restrições ao nível da atividade econômica, com agravamento dos problemas sociais que hoje atormentam a população. Graças à liberdade de ação concedida aos econoburocratas sem mandato ou representação popular, o crescimento econômico será novamente sacrificado em 1999, após a péssima performance que já estamos enfrentando neste final de ano.
- ANTONIO DELFIM NETTO é deputado federal pelo PPB-SP e ex-ministro da Fazenda e do Planejamento

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