‘‘O crescimento faz mal à saúde’’ ou ‘‘o desenvolvimento faz mal à sociedade’’... provavelmente estes são os ‘‘slogans’’ secretos que orientam as decisões de política econômica do governo tucano. Seria difícil encontrar outra explicação para o fato de o governo se mostrar tão incapaz de aproveitar os fatores favoráveis à retomada mais rápida da produção e da oferta de empregos.
Desde janeiro de 1999, com a mudança do regime cambial, foi reaberto o caminho para a reativação de nossas exportações e para a retomada da produção na indústria e na agricultura. A flutuação do câmbio eliminou a exigência das súbitas elevações das taxas de juros para sustentar a sobrevalorização do real, uma política absurda que produziu cinco anos de estagnação econômica e uma explosiva ampliação dos níveis de desemprego.
Os brasileiros estão pagando hoje um enorme preço pela destruição de uma boa parte do seu setor exportador, pela falências no comércio e na indústria e pela descapitalização da agricultura que está gerando uma situação de absoluta insegurança em nosso meio rural.
A condição essencial para a retomada do crescimento econômico é a queda das taxas de juros e essa redução tem que indicar uma trajetória firme e sem hesitações por parte do Banco Central. Mesmo tendo caído desde o início do ano passado, a taxa de juros real para uma empresa brasileira hoje é da ordem de 25% anuais, o que torna probitivo o investimento na produção, seja na indústria, no comércio, na agricultura ou nos serviços, fora da área estritamente financeira.
O Banco Central vinha aplicando aos juros básicos a trajetória correta, até o nível de 18,5%, com viés de baixa, mas assustou-se com o problema do petróleo (cujos preços não se sustentaram afinal) e com a pirotecnia das bolsas mundiais, acabando por criar expectativas de altas nos juros que não se justificam.
O próprio Banco Central, ao explicar sua atual tendência ‘‘conservadora’’ a respeito das taxas de juro, reconhece que a taxa de juros real está acima da taxa real de equilíbrio de longo prazo. A lógica então seria continuar a trajetória de queda nos juros, para que a economia venha a funcionar com mais equilíbrio, proporcionando a melhoria da atividade econômica.
A escolha ‘‘convervadora’’ esconde o fato que novamente se impõe um enorme custo social à população: juros altos restringem o crescimento da economia e a consequente oportunidade de aumentar a oferta de empregos. A sociedade já tolerou demais esse viés ideológico, suportando por cinco anos uma política de medíocre crescimento, de endividamento interno e externo do País e de destruição de parte da estrutura produtiva, com a supressão de milhões de postos de trabalho nas cidades e no campo. Esse resultado era coerente com a sobrevalorização cambial forçada. Mas, com o câmbio flutuante, não há por que continuar, a não ser por fidelidade ao ‘‘slogan’’...
- ANTONIO DELFIM NETTO é deputado federal pelo PPB-SP e presidente da Comissão Permanente de Finanças e Tributação
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