Delfim Neto
Os brasileiros foram surpreendidos com a ameaça do governo federal de decretar um novo aumento de impostos. O tributo escolhido desta vez para ter a alíquota majorada é o IOF, que incide nas operações financeiras e atinge pessoas físicas e empresas. A alíquota atual é de 1,5%. Ainda não foi decidido o novo percentual, mas de acordo com informação do jornal Valor Econômico, uma das hipóteses em exame é fixar em 3% a alíquota para a pessoa jurídica e em 6% para as pessoas físicas. O IOF incide nas operações de empréstimos bancários, cartões de crédito, cheques especiais, na contratação seguros e aplicações em Fundos de Investimento, dentre outras modalidades. É bem provável que tenha seu alcance ampliado, pois o governo já avisou que ele deve abranger todos os fatos de sua base que coincidem com a CPMF.
A justificativa oficial para esse novo avanço no bolso do cidadão é a necessidade de compensar a interrupção da arrecadação da CPMF a partir de 18 de junho, já que a prorrogação da vigência desse imposto não foi ainda votada no Congresso. O presidente da República continua insistindo que o Congresso tem se omitido e que isso põe em sério risco o equilíbrio fiscal, pois haverá uma perda de arrecadação de R$ 400 milhões por semana. É o caso de lembrar que, se o governo perde R$ 400 milhões, alguém está ganhando e, este alguém é o contribuinte, que certamente ficaria muito feliz...
O Congresso tem apoiado todas as iniciativas do governo que sustentam o equilíbrio fiscal, porque tem consciência que ele é absolutamente necessário para o controle da inflação. Foi mais além, ao preparar uma reforma tributária que levaria a um equilíbrio muito mais estável e ao votar cortes nos gastos públicos, inclusive de emendas dos próprios parlamentares. É do conhecimento geral que foi o governo que pôs uma pedra em cima da reforma. E é sempre o Executivo que reage a cortar seus dispêndios, que cresceram de forma extraordinária nos últimos oito anos.
No episódio atual da prorrogação da CPMF, é preciso dizer o que realmente aconteceu: em primeiro lugar, o governo se atrasou em enviar o pedido de renovação da CPMF; em segundo lugar, após o correto encaminhamento do projeto na Câmara dos Deputados, o governo não se esforçou para que fosse possível aprová-lo com rapidez. Por último, a obstrução na pauta de votações que é apresentada à mídia como se fosse uma falha nos trabalhos da Câmara é simplesmente o fruto do exagero da emissão das Medidas Provisórias. O Executivo entope o Legislativo com MPs, algumas delas absolutamente supérfluas, até ridículas, que não atendem aos requisitos de urgência ou relevância. É isso que desorganiza os trabalhos do Congresso e produz o bloqueio na pauta das votações.
ANTONIO DELFIM NETTO é deputado federal pelo PPB-SP





