Delfim neto
É sempre um bom sinal quando as questões relativas ao crescimento e às exportações retornam ao centro do debate econômico. É o que vem acontecendo ultimamente tanto nos meios universitários quanto no noticiário econômico de nossos principais jornais.
Há pouco mais de duas semanas, em São Paulo, alguns dos mais atuantes acadêmicos brasileiros se encontraram num seminário para discutir política econômica. Velho desenvolvimentista que sou, tive a satisfação de constatar a quase unanimidade de conclusões no sentido que estamos no limiar de uma nova etapa de crescimento econômico e que este crescimento pode ser sustentado nos próximos anos.
Em alguns casos houve mudanças muito significativas de posição, mas o importante é que praticamente não há divergências quanto ao fato de que o Brasil está pronto para crescer e, mais interessante ainda, é que a sustentação do crescimento depende da rápida expansão das exportações. Foi muito bem recebida a intervenção do ilustre ministro da Fazenda, Pedro Malan, que exagerou na previsão, prevendo um crescimento de 4,1% do PIB em 2001 e que esse crescimento estará assegurado desde que o País possa ampliar as exportações.
As exportações dependem, de um lado, da recuperação do setor privado, que ainda sofre os reflexos do estrago produzido pela antiga política cambial sustentada pelas mais altas taxas de juros do mundo. Após a desvalorização, o setor exportador tem realizado um grande esforço para se reorganizar e ir em busca dos antigos ou novos clientes no mercado mundial, superando obstáculos decorrentes dos ainda elevados custos financeiros e das deficiências de infra-estrutura, especialmente no setor dos transportes.
De outro lado, o sucesso das exportações depende não apenas da nova política cambial, mas do engajamento de todo o governo num apoio decidido e permanente às empresas exportadoras. Infelizmente, o que se tem visto é um grande desentrosamento entre as diversas agências governamentais que deveriam estar comprometidas com a expansão do comércio exterior.
Apesar do esforço do ministro Tápias, as exportações não constam das prioridades de inúmeras repartições federais e estaduais, que continuam trabalhando burocraticamente, fechando para almoço e para o lanche, não dão plantão nos feriados e fins de semana.
Sendo a expansão do comércio exterior, como todos reconhecem, o fator vital para garantir a continuidade do crescimento e o necessário equilíbrio das contas externas, não se justifica o desentrosamento burocrático e o bate-cabeças entre as repartições governamentais. Um prazo perdido lá fora na entrega da mercadoria é um cliente perdido, geralmente de forma irremediável. Não adianta explicar que foi por causa da siesta oficial...
- ANTONIO DELFIM NETTO é deputado federal pelo PPB-SP, ex-ministro e atual presidente da Comissão Permanente de Finanças e Tributação da Câmara Federal
E-mail: [email protected]





