Deixar a briga para sábado
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 22 de novembro de 1996
Walmor Macarini 
Se você sente necessidade de brigar com a sua mulher, combine com ela e marque essa briga sempre para o final da semana. Acerte que será sábado à noite, depois que você jantou fora com ela e ambos já estão chegando em casa. Marcar esse dia e horário é bom porque vocês se poupam de brigar em outros momentos, e isto cria um sentido de organização. Combinem - bom será de papel passado, com os filhos por testemunhas - que eles (se forem pequenos) já devam estar dormindo nessa hora, e os grandes, bem, estes, como é sábado, com toda certeza estarão curtindo a noite e só vão chegar depois de comer pastel na feira. No jantar vocês certamente degustaram um vinho, e estão inspirados. Você deve ter se vestido bem, para ser visto e apreciado pela própria mulher e pelas outras. Sua mulher fez o mesmo, para ser percebida pelas outras mulheres; está, portanto, muito bonita, com toda certeza insinuante. Com aquele perfume que você lhe deu, porque o sentiu em outra mulher com quem cruzou em meio a tantas, naquele coquetel, ou teria sido no avião, e você não resistindo perguntou o nome (não dela, mas do perfume). Você foi sincero, nem imaginar que estivesse se insinuando, porque o objetivo mesmo era sentir essa fragrância em sua própria mulher. Então, no sábado à noite, no momento marcado para a briga semanal, ela está com essa aura dourada, usando aquele vestido preto que você gosta, daqueles que, se forem longos, têm que ser até os pés, e se forem curtos têm que estar a nível dos joelhos, ou pouco acima. Sempre soltos e esvoaçantes. As jóias discretas. Todos esses componentes criando aquela magia que sempre o encantou.
Ah, a briga! Certamente você achará mais conveniente transferi-la para o sábado seguinte, no mesmo horário...
Invente um sistema mais ou menos idêntico para aquelas outras pessoas com quem você sente vontade de brigar e dizer uns desaforos: eleja um dia da semana, com hora marcada. Sexta-feira, aí por volta do meio da tarde, próximo do horário de fechamento dos bancos, é ótimo. Nem por nada mude esse dia e horário. Questão de ritmo, de disciplina, de um acordo que você fez consigo mesmo.
Pessoas que vêm adotando esse método garantem que, quando chega a sexta já passou a vontade de brigar, e mesmo que a vontade persista, nesse dia tão corrido da semana não sobra tempo. Fica para a próxima.
Em meio a essas considerações sobre práticas de bem viver recebo a informação de que, no próximo dia 25, a partir das 20 horas, no auditório da Associação Comercial de Londrina, vai haver uma palestra sobre prosperidade. Com entrada franca. Quem vai falar é Ademir Campos da Costa, professor de Administração e Planejamento da Universidade Paulista. O tema será, específicamente, A gratidão e sua influência na prosperidade empresarial. Ele foi um dos palestrantes do Seminário da Prosperidade que se realizou há um mês em Foz do Iguaçu e de que me ocupei em três artigos anteriores.
São dele os ensinamentos de que não devemos expressar, nem com palavras ou pensamentos, que vivemos em crise, que as coisas estão mal e vão ficar piores, porque esses sentimentos geram dificuldades reais. Ele diz que na recessão surgem as grandes invenções e as grandes saídas. Que agora é uma boa hora para lançamento de novos produtos, de novos processos, de novas idéias, de criar novos mercados. De inovar, rever posturas e ações. Porque tudo o que projetaremos, vamos obter, eis que é a mente que comanda. Se você vive afirmando que o seu negócio vai quebrar, que acabará fechando as portas, isto poderá acontecer, porque você decretou. O poder da palavra e da convicção é muito forte, tanto para as conquistas como para os fracassos. Pensar grande - ele ensina - não é ser megalomaníaco, mas é ter ideal.
Temos que nos enriquecer espiritualmente antes de sair atrás do dinheiro, e buscá-lo não é nenhuma coisa impura quando se tem sentimento de gratidão por todas as pessoas, coisas e fatos. Porque a riqueza já nos pertence, por sermos herdeiros naturais de todas as dádivas. Se não somos nós os herdeiros, quem o é? O sentimento de gratidão por tudo, e em todos os momentos, reconcilia-nos com a vida, eleva a alma, atrai todas as riquezas e nos faz viver alegremente. Devemos anular todas as coisas negativas e não pedir diretamente o dinheiro a Deus, mas pedir-lhe idéias. Que elas virão, com o dinheiro por acréscimo.
Encarar o trabalho não como uma luta mas como algo alegre, edificante, porque lutar pressupõe que estamos combatendo com alguém. Se você não ganha dinheiro é porque, quando o tem, o agarra demais e não o liberta para que cumpra o seu ciclo de gerar mais riqueza ao seu redor. Se você afirma que o dinheiro é curto, então o dinheiro comprido não existe na sua concepção, porque você já o descartou.
Os norte-americanos selaram, na nota de 1 dólar, uma pirâmide com o olho onisciente de Deus, e mais a inscrição In God we trust, que quer dizer Nós confiamos em Deus. Não deve ser à-toa que o dólar tem sido, através dos tempos, a moeda mais forte do planeta.
Acredite: se todas as pessoas dizem que as coisas vão mal mas você acha que não, você se salvará. Se a riqueza material é consequência da riqueza espiritual, cabe-nos materializar essa riqueza que Deus nos outorgou. Já disse um sábio que o difícil, o anormal, é conseguir ser pobre, porque a riqueza é que é o estado natural.
Mudando nossa atitude mental mudamos nosso destino. O homem não tem limitações.
- WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina


