Tudo indica que o novo governador do Paraná terá muito a lembrar de Jaime Lerner nos próximos anos. Lerner acaba de anunciar, a quatro meses do fim de sua gestão, duas medidas que caem como bomba no colo do futuro titular do Palácio Iguaçu.
Uma delas é a abertura de concurso público para 13.643 professores da rede estadual. A medida é louvável, naturalmente. Quem pode ser contra a contratação de professores para a rede pública, afinal? Mas a pergunta inevitável é: por que o governador, com longos oito anos para adotar medidas como esta, adiou até os seus últimos dias de poder o concurso?
À imprensa, Lerner tem justificado que os estudos para a abertura da seleção ''levaram muito tempo''. Oito anos é tempo demais, sem dúvida. Em seu governo, Lerner não gastará um centavo sequer com os novos e bem-vindos professores à rede pública. Mas poderá capitalizar a medida a seu favor em futuras candidaturas.
A outra medida, que já provoca arrepios nos candidatos ao Iguaçu, é o generoso aumento do prazo para 69 empresas recolherem o ICMS. Entre elas, Renault/Nissan e Audi/Volkswagen. Durante 14 anos, entre 2003 e 2016, algumas companhias pagarão apenas 25% do imposto devido aos paranaenses. Os outros 75% estão temporariamente perdoados.
A medida seria uma ''compensação'' porque a abençoada Lei de Responsabilidade Fiscal impediu o governo de conceder financiamento prometido a algumas empresas que se instalaram no Estado nos últimos anos. Fartamente incentivadas quando vieram para o Paraná, 69 indústrias das quais, 23 com capital internacional voltam agora a receber facilidades do Estado.
Vai pesar no bolso do paranaense. Em seus últimos suspiros, o governo Lerner cria uma nova fonte de despesa e abdica, em nome do Estado, de uma importante fonte de receita. É para deixar lembranças, mas nenhuma saudade.
Ruth Meira

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