Degredados & Celulares x meditação
Cartas de leitores publicadas em 28 de janeiro de 2025
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 28 de janeiro de 2025
Cartas de leitores publicadas em 28 de janeiro de 2025
Cartas de Manoel José Rodrigues e Nina Cardoso 
Degredados
Triste fim para brasileiros que voltaram algemados nos pés e nas mãos em território brasileiro por ordem de uma polícia americana, que teve que ouvir do ministro da Justiça que o Brasil deixou de ser colônia americana e finalmente foram tratados como pessoas. Os defensores brasileiros deste governo americano sem noção talvez ainda deem razão aos americanos; afinal, sempre há pessoas que gostam de lamber coturno de soldado americano pensando ser um sorvete sabor chocolate. Aos degredados daquele país decadente, fica a traumática lição de nunca mais pisar naquele lugar e lavar os sapatos para não ter aquela terra por perto. O brasileiro que é mal-vindo nos EUA sempre tratou bem os imigrantes; todavia, está na hora de rever valores e ter reciprocidade. Infelizmente, muitos políticos chegaram ao clímax com a vitória deste extremista. Apenas um aviso que serve para todos nós: o amanhã não nos pertence, inclusive para quem pensa que é imortal. Não existem poderosos, existem poderosos passageiros.
Manoel José Rodrigues (assistente administrativo)
Celulares x meditação
Apenas um comentário sobre o texto do Espaço Aberto da edição de 27/01/25. Estou lendo o livro "A Geração Ansiosa", de Jonathan Haidt, psicólogo social, pesquisador e professor americano. O subtítulo é "Como a infância hiperconectada está causando uma epidemia de transtornos mentais". Neste livro, tendo como base vários estudos e análises de muitos profissionais da mente humana, ele traça o que chama de "a grande reconfiguração da infância", partindo do momento em que crianças e pré-adolescentes passaram a ter acesso irrestrito às telas. Ele localiza este "ponto de virada" por volta de 2010 e demonstra, de modo muito fácil de compreender, o que aconteceu. As crianças e pré-adolescentes abandonaram o "brincar", fator primordial de desenvolvimento da personalidade do ser humano, pelo "conectar", onde suas mentes são dirigidas por algoritmos para experiências que nada acrescentam em seu desenvolvimento. Por outro lado, os pais, também "conectados" cada vez mais, foram levados a comportamentos de superproteção da infância, através de "comandos" dos algoritmos onde tudo lhes era apresentado como "riscos" para seus filhos. Então, o fato de não poder mais haver o uso indiscriminado das telas nas escolas é extremamente saudável e defendido pelo Dr. Haidt. O que os professores precisarão fazer? Ensinar meditação hinduística - o viés de Lynch? Não. Apenas direcionar os alunos para que utilizem o seu tempo disponível com o brincar, o relacionar-se com o outro, o partilhar experiências e o contato físico com os seus iguais e com os próprios professores. Outra possibilidade é conversar com os pais e demonstrar a eles os benefícios de um crescimento mais saudável para seus filhos e, até mesmo, uma reorientação para si próprios. Seria muito interessante que professores e pais pudessem ler o livro do Professor Jonathan Haidt - "A Geração Ansiosa".
Nina Cardoso (psicóloga)


