Degradação humana
Antonio Armando Ulian
do Lago Albuquerque
Desde o surgimento do aparato estatal, o homem não mais responde apenas pelas suas próprias demandas de subsistência, mas, sobretudo, pela atividade incessante de procura pelo material, pela fortuna, pelo acúmulo de riquezas, pela expansão de território etc. Não pretendemos fazer apologia ao ‘‘bom selvagem’’, de forma alguma. Somos cientes da limitação desta teoria, pretendemos apenas demonstrar que o ‘‘problema’’ do transtorno mundial, das guerras, está no próprio homem.
Atualmente, assistimos perplexos à degradação humana pelo próprio homem. Seja por quais motivos forem, desde econômicos, políticos, geográficos, enfim, o que há é a degradação humana pelos seus semelhantes. Ontem foi a 1ª Guerra Mundial, a 2ª Guerra Mundial, a Guerra do Golfo, Kosovo; hoje, Timor Leste. Amanhã?!
A Unesco, em gesto simbólico, mas de suma importância para a sensibilização e conscientização do próprio homem, manifestou-se em vários países, em alguns simultaneamente, pela paz mundial.
Essa paz só será possível quando os homens olharem para o seu semelhante e enxergarem-se nele, enxergarem-se como sendo iguais ao seu próximo. Não se trata de discurso religioso-cristão, mas fundado no máximo de respeito ao semelhante.
O fato de guerras, conflitos, genocídios, assassinatos, reside num problema interior de que não nos reconhecemos na pessoa do outro, respeitando suas crenças ideológicas, suas condutas, suas práticas, seus costumes. Na realidade, o homem atual, o homem em transformação para a chegada do Terceiro Milênio, não deixou de ser autoritário e egoísta para com o mundo ao qual está inserido, pois ele não permite a aproximação do outro, que para ele não é seu semelhante, seu igual, mas o diferente, pois cremos na diferença como valor principal entre os homens, e não na igualdade. Assim, somos pobres, ricos, miseráveis, negros, brancos, amarelos...
É chegada a hora de paz sim, mas antes de tudo a paz interior em cada uma das pessoas, para que esta paz, uma vez unida à de outros povos, possa superar os monstros internos que há no interior de cada um de nós, transformando esse mundo repleto de egoísmo e ganância, num mundo mais humanitário, democrático e sobretudo solidário.
Antes, porém, é preciso que o homem destrua esses monstros que nos fazem acreditar que a vida só é vida quando é poder, ostentação, bajulação, glória, riqueza. Monstros que nos fazem pensar sermos diferentes de muçulmanos, de negros, de brancos, amarelos, pobres, ricos, mendigos. Monstros que não nos evidenciam que somos todos homens, seres humanos em permanente construção. Antes é preciso que destruamos esses monstros interiores para que possamos destruir a ganância e a falta de respeito entre os Estados e entre os povos, respeitando, portanto, a autodeterminação dos povos.
A paz do mundo faz parte do nosso comportamento em relação ao nosso próximo, assim como da constante indignação frente ao desrespeito aos Direitos Humanos.
- ANTONIO ARMANDO ULIAN DO LAGO ALBUQUERQUE é bacharel em Direito em Cáceres (MT)

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