Deficit habitacional
Lançado pelo ex-presidente Lula em seu segundo mandato, o programa habitacional "Minha Casa, Minha Vida" deve passar por ajustes no próximo ano, segundo anunciado pela presidente Dilma Rousseff (PT). A expectativa é de alteração no valor limite dos imóveis e mudanças nas regras para contratação e liberação dos financiamentos para construção. São modificações importantes para acompanhar a inflação da construção civil e a valorização imobiliária, principalmente nas cidades de médio e grande portes.
O projeto, focado na população de baixa renda, construiu até o final do ano passado pouco mais de 1 milhão de unidades. É um salto importante, ainda mais se for considerado que todos os municípios brasileiros apresentam deficit habitacional, segundo pesquisa da Fundação João Pinheiro em parceria com o Ministério das Cidades. Nesse levantamento os pesquisadores não consideraram deficit a falta de casas, mas as más condições, como moradias precárias até alugueis altos demais. As regiões Nordeste e Sudeste lideram o problema.
É um estudo interessante porque considera as diferenças regionais e a conclusão é a de que uma política unificada não resolverá todo o problema. É preciso desenvolver e planejar projetos específicos até porque o sistema é bastante dinâmico e não se resume a construir o número de unidades faltantes. As pessoas se mudam, casam e é preciso atender a essa demanda também. Além disso, em cada município o impacto do programa é diferente.
No entanto, além de implementar políticas que melhorem a vida da população é preciso também investigar as irregularidades. Os programas devem efetivamente beneficiar quem mais precisa e, por isso, qualquer transação imobiliária promovida por pessoas contempladas, mas que não têm a intenção de residir no imóvel, deve ser coibida até para que a sua missão seja integralmente cumprida.





