Fica um tanto difícil elaborar-se uma lista de dificuldades a serem enfrentadas pelo governo Lula. E, mesmo, mais difícil seria colocá-las em linha hierárquica.
De qualquer forma, a questão da Previdência deve estar sendo o mais difícil de todos os gargalos a serem vencidos pelo novo governo. E não é para menos, quando se sabe que cálculos preliminares admitem a ocorrência de um saldo deficitário superior a 50 bilhões de reais para o próximo exercício.
Por isto, antes de mais nada, a reforma previdenciária deve ocupar os novos governantes desde o dia da posse, na esperança de que consiga a adoção de medidas capazes se não de resolver de vez o problema, pelo menos de poder melhor equacioná-lo.
Como está é que nos parece impossível continuar. São diversas as questões que concorrem para uma Previdência deficitária. Uma, no entanto, deve ser enfrentada com coragem e decisão. Parte das empresas brasileiras, ninguém desconhece, não cumprem as obrigações patronais frente ao INSS. E, pior, ainda, não recolhem àquele Instituto a contribuição descontada dos salários de seus empregados.
Agora, para nosso maior pasmo, aparecem os bancos como os grandes vilões, os grandes devedores de nossa Previdência. Somente um deles, o Itaú, o segundo maior banco privado do País, deve montante que beira os 400 milhões de reais, uma dívida que mais avulta quando vemos que o Banerj, controlado pelo Itaú, já deve mais de 150 milhões de reais, fazendo com que a dívida do grupo ultrapasse o meio bilhão de reais. Outro grande devedor é o Unibanco, seguido de perto pelo Banespa, aliás, Santander, que deve ao Instituto 162 milhões de reais.
É um árduo problema a enfrentar. Mas achamos que isso tudo pode ser minimizado, já que, a cada ano, quando da publicação de seus balanços, são exatamente esses bancos que anunciam lucros fabulosos e crescentes, crescentes, aliás, em progressão geométrica.
Ora, embutidos nesses lucros magníficos estão os muitos milhões devidos à Previdência, lucros que permitem maior capitalização e, portanto, maiores ganhos por parte dessas empresas, uns ganhos prenhes de imoralidade vez que, em parte, pelo menos, decorrem de uma fraude fiscal inteiramente conhecida e devidamente medida pelo governo. Não estará aí um dos caminhos para reduzir em muito o déficit de nossa Previdência?
RUBENS BUENO é deputado federal e presidente do PPS-PR

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