Deficientes e igualdade
Surpreendente saber que em 2015 ainda muitos deficientes se sentem discriminados por parte da população. Esse é o principal mote da Semana de Luta das Pessoas com Deficiência, que teve início ontem em todo o País. Apesar dos inúmeros avanços obtidos com relação à acessibilidade, tais como rampas de acesso, ônibus adaptados, vagas de estacionamento especiais e cadeiras reservadas em filas, o preconceito e a falta de conscientização impedem a igualdade.
Como aborda reportagem de hoje desta FOLHA, é inadmissível que pessoas com deficiência ainda tenham que enfrentar hostilidade, falta de educação e de respeito. Parece frustante, uma vez que esse tipo de atitude está na contramão dos avanços obtidos pelos brasileiros nos últimos anos. Se a Constituição Federal afirma que todos os brasileiros são iguais perante à lei, a sociedade deveria se unir para garantir que o artigo legal seja vivenciado por todos.
Segundo o censo de 2010, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, quase um quarto dos brasileiros declararam ter ao menos um tipo de deficiência. É um índice significativo e essa parcela da população não pode continuar a ser marginalizada. O estudo também apontou diferenças importantes com relação à escolarização e ao mercado de trabalho. Por isso, a implementação de campanhas que busquem a conscientização da população são de extrema relevância. As diferenças fazem parte de todas as sociedades e podem se complementar.
Outra questão importante são os investimentos na qualificação dessas pessoas. Se a inserção no mercado ocorrer de forma igualitária e não forem destinadas apenas vagas que exigem menos escolarização, esse público pode se sentir mais acolhido. Os avanços obtidos pelos brasileiros nas últimas décadas não podem ficar restritos apenas à melhoria de renda, é preciso avançar também em educação e cidadania.





