Defender o Bamerindus por quê?
PUBLICAÇÃO
sábado, 23 de novembro de 1996
Antônio de Jesus 
Antônio de Jesus
Há muitos anos, quando se queria acabar com o Banco Meridional, os gaúchos saíram às ruas para defender uma instituição que tinha tudo a ver com seu Estado.
Recentemente, quando o governo interveio no Banco Econômico, motivado por má gestão financeira e até mesmo pela prática de inúmeros fatos típicos previstos como crimes de colarinho branco, o famigerado ACM, também conhecido como Toninho Malvadeza, ex-governador e atualmente senador da República, e toda a bancada baiana no Congresso se colocaram em pé de guerra, gritaram, espernearam, ameaçaram em defesa de uma instituição antes de tudo, baiana.
Quando o Bamerindus, um banco paranaense, entra na linha de fogo da mídia nacional por motivos estritamente econômico-financeiros, sem que se aponte qualquer motivo que coloque em dúvida a lisura de suas operações, é consolador vermos boa parte das lideranças empresariais e políticas do nosso Estado se unirem, colocando de lado sólidas divergências das mais variadas ordens para sair em sua defesa.
Aníbal Khury puxa o cordão na Assembléia paranaense; Lerner e Requião, imaginem só, o Requião, igualmente entendem que a eventual perda do controle acionário do Bamerindus para capitais externos ao Paraná significa prejuízo maior ao Estado e aos paranaenses do que propriamente ao senador José Eduardo Vieira de Andrade. Concretizada tal perda, muito mais gente teria a perder: os seus milhares de funcionários, os nossos empresários e nossas cidades, porque as fusões e/ou encampações não raro acabam redundando em demissões e fechamento de agências.
Considerado um banco de projeção nacional, o Bamerindus nunca perdeu as cores paranaenses e sempre manteve uma relação muito especial com a sua clientela de casa. A sua perda significaria também perda de prestígio para o Estado e seus milhares de clientes que aqui vivem.
Hoje, com a grana curta e longe das atividades negociais, já não tenho conta no Bamerindus, mas dele guardo uma lembrança muito viva dos meus primeiros passos como cidadão: foi o meu primeiro banco e isso a gente não esquece nunca.
Ainda garoto, com menos de 20 anos, foi dele que obtive meu primeiro empréstimo e graças a ele que me tornei empresário. Empinando papagaio pude comprar há quarenta anos os equipamentos gráficos que possibilitariam a edição da Tribuna do Oeste, na cidade de Cruzeiro do Oeste, jornal ainda existente sob a direção de Fernando Alberto Amaral.
Se não me falha a memória, o gerente da época era o Edilson, ou o Matias Vilhena de Andrade, um dos dois. Membros do Clã Vieira de Andrade, frequentavam a escola e iniciavam suas carreiras no interiorzão, quase como funcionários comuns, por determinação do velho Avelino Vieira.
Um banco com história e uma folha impecável de serviços ao Paraná, merece muito mais do que simples manifestações verbais de apoio. Pede e merece gestos concretos e o uso da força e do peso do nosso Estado em favor da sua sobrevivência como um banco eminentemente paranaense a serviço do Brasil.
- ANTÔNIO DE JESUS é procurador de Justiça aposentado e atua como advogado em Cascavel.


