Dedicação é pré-requisito básico dos candidatos a empregos públicos
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domingo, 02 de setembro de 2007
Marco Feltrin<br>Reportagem Local 
Estabilidade no emprego e bons salários: dois itens que levam cada vez mais pessoas a buscarem vagas no concorrido universo dos concursos públicos. Ocupar uma destas vagas, no entanto, exige doses extras de empenho, concentração e paciência. Não basta apenas estudar e desanimar caso a primeira tentativa não dê certo. Para determinados cargos, são necessários meses, anos de estudo até ser aprovado. Não tem outro jeito: é estudar, estudar até passar.
Mas qual é a melhor maneira de se preparar para um concurso público? Passar horas debruçado sobre os livros, frequentar cursos preparatórios, estudar por conta própria? A FOLHA conversou com os ''concurseiros'' para saber como eles estão se preparando para esta batalha por um emprego na área pública.
Luciana Albano de Oliveira, de 36 anos, disputa uma vaga no concurso para analista judiciário do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) do Paraná. O edital para o concurso ainda nem foi definido, mas ela segue firme nos estudos, frequentando um cursinho preparatório e complementando os estudos em casa, durante a noite.
''Ainda preciso melhorar muito minha rotina de estudos. Como sou casada, fica complicado estabelecer um tempo certo. Tento estudar à noite, das 21h à meia-noite, acho um horário mais tranquilo'', diz Luciana, que pretende intensificar o ritmo nos próximos meses. ''Quanto mais tempo de estudo, maior o retorno. O curso ensina o básico, de forma rápida, então a gente tem que chegar em casa e se aprofundar nos assuntos''.
Ao contrário de Luciana, Cristina Shizuka Sugajima, de 25 anos, escolheu a parte da tarde para estudar em casa. Ela tenta uma das vagas no concurso do Banco do Brasil, que tem prova marcada para o dia 16 de setembro.
A rotina de estudos de Cristina começa de manhã, no cursinho, e segue logo após o almoço. ''Descanso um pouco e volto a estudar. Estabeleci quatro horas por dia direto, todas as tardes. Não gosto de parar, porque perde o embalo'', garante a estudante.
Segundo a professora Benedita Célia Galvão Ramos, o ideal é que o estudante fixe um calendário de estudos, evitando ficar durante horas consecutivas sobre os livros. ''Não pode ficar muito tempo. De meia em meia hora, é bom se distrair um pouquinho. Muito tempo de leitura acaba com a concentração. O aluno lê, mas não está captando nada'', afirma.
Durante a leitura, professora Benê, como é conhecida pelos alunos de português, orienta o uso de um lápis para destacar as palavras e frases que chamam mais a atenção.
''Ajuda muito na fixação de assuntos importantes. Mas de nada vai adiantar se, na hora da prova, você não souber interpretar as questões. Quem lê rápido e não presta atenção tem grandes chances de errar''.
Liana Souza, de 33 anos, considera fundamental a concentração na hora da prova, mas admite que o nervosismo pode atrapalhar. ''Vai chegando mais próximo do dia do concurso, bate o desespero, a pressão aumenta. O melhor a fazer na hora é se preocupar com a concentração total, deixando o nervosismo do lado de fora'', afirma a estudante, que já prestou concursos para a Caixa Econômica Federal, Polícia Civil, entre outros.
Ela conta que o trabalho impede a dedicação exclusiva aos concursos, o que acaba alterando constantemente a rotina de estudos. ''Não tenho um horário definido para estudar. Procuro repassar a matéria que aprendi em sala de aula todos os dias, mas nem sempre é possível''.
Para o professor de Processo Civil Magno Alexandre Silveira Batista, a opção de Liana é a mais adequada para quem presta concursos. ''Rever o que foi dito em sala de aula, complementar o estudo em casa, é fundamental. Quem revisa a matéria do dia fixa o conteúdo muito melhor'', diz o professor, que defende a importância dos cursos preparatórios.
''É uma dinâmica muito diferente da universidade, com conteúdo mais objetivo, sem muitas teorias. É difícil saber exatamente o que vai cair, os programas são muito amplos, mas dá para identificar os assuntos com maiores chances de serem abordados''.


