Decisão está tomada, pela vontade do povo
Por estreita margem de diferença, o eleitorado elege pela quarta vez Antonio Belinati (do PP) prefeito de Londrina, e se esta foi uma decisão da maioria, precisa ser prevalecente. Pendências judiciais envolvem o candidato eleito, mas se a Justiça Eleitoral foi tardia em tomar uma decisão já antes do primeiro turno, tem agora que se curvar ante uma sentença mais soberana, que é a da vontade popular. Não cabe discutir se foi uma classe mais pobre que decidiu, porque no Brasil a lei não contempla divisão de castas.
Belinati sabe que (se não for impedido de assumir) terá a rejeição de elevado contingente populacional. E que será vigiado, especialmente quanto a eventual envolvência com as ''ligações perigosas'' que teve em sua última administração e que resultaram em graves denúncias de corrupção e cassação de seu mandato. Muitos ficarão atentos aos portais da Prefeitura para ver quem entra em seu gabinete.
Passos em falso acionarão as forças da oposição, porque a população está rescaldada e, com toda a certeza, não tolerará reincidências. Se Belinati é detentor de boas realizações em obras, tem também o nome maculado por processos na Justiça, sob acusação de improbidade administrativa. Porque contaminou-se e foi contaminado pela ação nefasta de gente espúria que ele levou para o seu redil quando prefeito, no anterior mandato. E se o fez, consentiu nisso. O retorno desse político - que é indiscutivelmente um líder no seio das classes mais necessitadas - pode aplacar a fúria da violência urbana se ele atacar as questões mais elementares da necessidade social. E, como líder inconteste de seu eleitorado cativo, exerce um poder sobre os seus seguidores. Rejeições à parte, não se nega o seu poder de manipulação das comunidades carentes, e não se pode afirmar que as engana quanto aos atendimentos que promete, ou não teria se reeleito três vezes.
É nas comunidades carentes onde se situam mais intensamente os redutos de delinquentes, pelas óbvias razões de extrema pobreza. Porque onde há fome e habitação indigna não se pode exigir o idêntico comportamento das populações mais abastadas. Se Belinati chega novamente ao poder, então que o utilize, não apenas como chefe administrativo do município mas também como líder carismático, e assim aglutine pobres e ricos na busca de fórmulas que diminuam os problemas mais graves de Londrina, que são os bolsões de miséria e, por consequência, da insegurança. De Belinati espera-se agora não o mais ou menos, na administração pública de Londrina, mas a totalidade.





