Embora técnica, a decisão do ministro Celso de Mello do Supremo Tribunal Federal (STF) – de aceitar os "embargos infringentes" dos condenados pelo mensalão – é decepcionante e causou indignação a boa parte dos brasileiros. Ontem o decano encerrou a discussão e, agora, 12 dos 25 réus – entre eles o ex-ministro José Dirceu, o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares e o ex-presidente da Câmara João Paulo Cunha (PT-SP) – poderão recorrer da sentença e até escapar da prisão em regime fechado.
O mensalão foi um esquema ilegal de financiamento político organizado pelo PT para corromper parlamentares e garantir apoio ao governo Lula no Congresso em 2003 e 2004, logo após a chegada do partido ao poder.
A decisão frustra toda a sociedade, que esperava um final para o processo que já se arrasta há mais de nove anos. Reforça a sensação de impunidade para os crimes de "colarinho branco". Ao embasar sua decisão, Mello disse que o STF deve tomar suas decisões "em ambiente de serenidade e não pode deixar-se contaminar pela opinião pública". De fato, a Justiça deve ficar imune a pressões populares e garantir os direitos individuais.
No entanto, nesse caso, reforça o distanciamento do Judiciário perante à população, de que para a lei nem todos são iguais. Um dos pressupostos da Justiça é representar o próprio povo em um sentido mais amplo, em detrimento dos interesses pontuais de grupos majoritários. Não foi o que pareceu.
No entanto, agora é importante que a sociedade fique vigilante. É fundamental que ocorra uma cobrança por celeridade no julgamento final. É preciso estabelecer prazos para que isso ocorra e também é importante que o julgamento seja feito antes das eleições do próximo ano. Esse caso não pode ficar impune e se tornar mais um a "acabar em pizza". A população espera – e merece – uma resposta. O anseio é por Justiça.

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