O decálogo petista recomenda ao Presidente/candidato que evite quase tudo na campanha eleitoral, só faltando haver solicitado ao povo que evite reelegê-lo. Talvez essa fosse a mais sensata recomendação, diante do conceito que o próprio PT revela ter de seu homem mais expoente. Veja-se: o partido quer que Lula evite dar entrevistas coletivas. Isto significa não confiar no que ele irá dizer. Ou seja, um Presidente (presente ou futuro) cujas manifestações verbais podem oferecer risco. Mais: evitar que ele viaje para Estados onde há divergências entre aliados, demonstrando que tais alianças não são sólidas se há discordâncias, e que faltaria ao candidato a estratégia para eliminá-las. Neste decálogo de proibições recomenda-se evitar que Lula fale à imprensa se não há um tema específico definido pela campanha. E tema específico parece haver apenas um: o bolsa-família, carro-chefe da cruzada petista rumo à permanência no poder. Isto quer dizer medo do povo, cujos clamores ecoam pela voz dos veículos de comunicação. Está no receituário das determinações evitar assuntos negativos para o Governo e só valer-se dos positivos, e isto o candidato até poderá fazer, mas as negatividades da administração petista estão nas ruas e, por onde ele andar, irá tropeçar nelas. Os dez mandamentos ordenam evitar a participação em debates. Esta é a recomendação mais estranha, se a campanha é eleitoral, isto querendo dizer que o candidato terá de esconder-se e não mostrar a cara. Evitar presença física no comitê de campanha também figura entre as práticas proibidas. Pressupõe-se que uma candidatura seja una dentro de uma agremiação partidária e ideológica ou ao menos assim tem sido o histórico discurso petista salvador da pátria. Tem mais na bula dos perigos: evitar ao máximo participar de atos públicos. Entenda-se ir pouco onde há povo que possa atingir, pelo alcance das mãos e das vozes, a pessoa do Presidente/candidato. Percebe-se que se a confiança dos cidadãos no atual mandatário anda em baixa ao menos na camada mais consciente, que não seja a da pobre gente beneficiada com os socorros assistencialistas também os estrategistas do PT não confiam no próprio candidato, outrora rei soberano e triunfante. E como o partido não tem mais ninguém para colocar no lugar porque as eminências petistas de até pouco tempo enlamearam-se na corrupção o expediente de salvação é poupar, de todas as formas de risco, o que resta. O mais perigoso risco parece ser enfrentar, no corpo a corpo, o povo a massa da qual o PT sempre se nutriu. Triste momento do petismo. Não à toa a preferência a Lula na pesquisa vem caindo nas últimas semanas, enquanto cresce o ranking de Geraldo Alckmin, o outro postulante mais cotado. O candidato à reeleição perde votos na classe média e na comunidade rural média e alta, só levando vantagem no âmbito da agricultura familiar. Quando parecia que a eleição seria definida no primeiro turno, com a vitória de Lula, agora os indicativos da pesquisa são de que haverá uma segunda rodada.

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