Debates políticos
Os denominados debates entre candidatos, na televisão, têm ficado longe de caracterizar uma sadia discussão de idéias, porque todos a que se assistiu na presente campanha eleitoral foram marcados principalmente pela troca de acusações e pelo indisfarçável desejo de, cada qual, denegrir a imagem do outro. O que menos existiu foi debate, até pela metodologia do sistema adotado pelas tevês, que impossibilita o desenvolvimento dos temas e impede que os candidatos se estendam em suas propostas e as definam com clareza. Os debates desta semana, entre os candidatos ao governo do Paraná e entre os presidenciáveis, não foram diferentes. Nada foi acrescentado ao que o eleitorado já sabia acerca das posições de cada um deles e também de seus destemperos emocionais e deselegâncias verbais.
O conceito predominante na maioria dos candidatos de que tudo vale em campanha eleitoral, não encontra apoio entre o eleitorado, que espera deles uma franca e objetiva apresentação de programas de governo e, principalmente, um convincente detalhamento de como realizá-los. No caso do Paraná, repetiu-se o que já se conhece da maioria dos políticos: os que outrora foram companheiros de partido e de apregoados ideais, agora estão convertidos em ferrenhos adversários, capazes de baixas acusações entre si. Se não era verdadeira a posição do passado, não se crê que o seja agora e nem se pode garantir que composições e reaproximações não voltem a acontecer, tudo conforme a mais requintada desfaçatez. O eleitor, então, comparece às urnas por obrigação e não por convicção.
Quanto ao debate dos quatro principais postulantes à Presidência, quinta-feira, este não deve ter servido para induzir os eleitores indecisos a votar neste ou naquele, porque afora os sutis ataques entre si próprios e contra o governo os candidatos foram apenas genéricos em seus planos de governo. Falaram das necessidades óbvias como retomar o desenvolvimento econômico, baixar juros, dar fim à especulação financeira, resolver a questão das dívidas externa e interna, criar empregos, solucionar o déficit da Previdência, fazer as reformas agrária, política e tributária, aumentar a produção e a produtividade agrícolas, irrigar o agreste, incrementar as exportações, combater o tráfico de drogas, a violência e a corrupção, consertar as estradas, melhorar o ensino e os atendimentos de saúde, enfim, reconstruir o Brasil inteiro. Espera-se que o eleito se debruce seriamente sobre esses problemas, porque todos são perfeitamente solucionáveis e o que agora é promessa de campanha vai se tornar compromisso para ele.





