SIM
Deixar grupos descobertos com certeza coloca em risco a saúde da população. Grupos significativos estão ficando sem a cobertura da vacina e expostos à doença. Crianças e adolescentes em idade escolar, entre 2 e 19 anos, são um dos grupos que estão ficando descobertos, exceto os que apresentam doença crônica. As pessoas entre 39 e 59 anos também não terão acesso à vacina. São grupos de grande extensão que possibilitam a transmissão do vírus entre as pessoas descobertas. O Ministério da Saúde alega que não há vacina para toda a população, mas eu acho que há. O que falta é boa vontade. Existe vacina disponível e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) não licenciou ainda. Temos uma arma efetiva que infelizmente não está sendo utilizada. Por isso, as entidades médicas estão brigando para que no Paraná todos tomem a vacina, mas o Ministério de Saúde está resistindo. Cada país define o critério de vacinação. Nos Estados Unidos, por exemplo, a recomendação é para que todas as pessoas sejam vacinadas. Quem sofre com tudo isso é a população. É importante ressaltar que na segunda fase a gripe A pode atingir grupos diferentes dos da primeira. Alceu Fontana Pacheco Junior, presidente da Sociedade Paranaense de Infectologia


NÃO
Não se trata de risco de nova epidemia, uma vez que o mundo está em pandemia desde julho do ano passado, quando a Organização Mundial de Saúde (OMS) reconheceu que seria impossível conter a transmissão do vírus. Atualmente, o H1N1 está presente em pelo menos 213 países e territórios. Logo, vacinar toda a população de cada país faria sentido se este fosse o propósito da vacinação e houvesse vacina disponível para todos os países, o que não é a realidade atual. Por isso, a OMS definiu os objetivos da vacinação - manter os serviços de sa© úde funcionando e proteger a saúde dos grupos mais vulneráveis - e indicou os grupos a serem vacinados - trabalhadores de serviços de saúde envolvidos no atendimento direto de pacientes com sintomas de gripe, indígenas, gestantes e doentes crônicos. O Brasil, além de acatar a recomendação da OMS, ampliou a vacinação para mais três grupos: crianças de 6 meses a menores de 2 anos e adultos, de 20 a 29 e de 30 a 39 anos. A inclusão desses grupos teve como base a observação dos dados epidemiológicos do Brasil na primeira onda da pandemia, em 2009. Crianças menores de 2 anos, doentes crônicos, gestantes e adultos entre 20 e 39 anos representaram 90% dos casos graves e óbitos pela nova gripe no Brasil no ano passado. Não há dúvidas, portanto, de que esses foram os grupos que estiveram mais vulneráveis ao novo vírus em 2009.
Eduardo Hage, giretor de Vigilância Epidemiológica do Ministério da Saúde

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