SIM
Caso o Ministério da Agricultura considere que todas as condições técnicas, inclusive as relativas à vigilância de nossas fronteiras estejam cumpridas plenamente, não tenho dúvida de que o Paraná deva ser declarado como livre de febre aftosa sem vacinação. Sob esta condição, o Paraná não apenas se habilita a exportar carne bovina para mercados até então fechados, mas habilita-se também a exportar a carne suína que, diga-se de passagem, apesar desta espécie também estar sujeita às infecções pelo vírus da febre aftosa, tradicionalmente não é vacinada, funcionando como um verdadeiro ''sentinela'' natural. Mas os benefícios são bem maiores do que a simples abertura de novos mercados. O fim das vacinações também será importante porque ratifica a qualidade do controle sanitário do rebanho, garantindo ao consumidor que ele está consumindo um produto seguro e saudável. Um terceiro aspecto positivo se refere à viabilização da instalação de novas plantas industriais em nosso Estado, interessadas na matéria-prima de qualidade para fins de exportação a países que exigem esta condição sanitária. Estamos falando da indústria de derivados de leite, de carne suína e bovina que poderiam se instalar no Paraná agregando valor à produção, criando empregos, renda, inclusive nas cidades, gerando benefícios a toda a sociedade, ultrapassando os limites dos benefícios exclusivos aos produtores de carne bovina. Mas é fundamental que a decisão da supressão definitiva da vacinação seja tomada apenas após a rigorosa análise e aprovação técnica do Ministério da Agricultura.
Alexandre Kireeff, presidente da Sociedade Rural do Paraná



NÃO

Se apenas o Paraná adotar a medida de não vacinar o rebanho contra a febre aftosa, a cadeia produtiva da pecuária será prejudicada. Entre tantos malefícios, poderíamos enumerar alguns: custo maior de produção da arroba para os produtores paranaenses; achatamento na valorização da arroba comercializada, causado pela desigualdade de comercialização; entrada de carne in natura de outros estados a serem comercializadas aqui; enormes prejuízos no desenvolvimento do melhoramento genético; restrição na entrada de animais vivos oriundos de outros estados livres da febre aftosa com vacinação; entrada de sêmen e de embriões produzidos em outros estados e outros países; tecnologia ainda não totalmente democratizada entre os produtores; diminuição drástica do volume de negócios, comercialização restrita somente a animais nascidos dentro do Estado do Paraná. Outro problema é a restrição a feiras agropecuárias tornando-as estritamente ''estaduais'', fato que proíbe a entrada de animais vindos de outros estados da federação. E por fim, total desfalque na participação de plantéis paranaenses na sua participação nos maiores, mais tradicionais e mais importantes eventos calendarizados da agropecuária nacional. Concluindo, a ausência de vacinação contra febre aftosa no Estado do Paraná nos deixaria totalmente vulneráveis à doença.
Guto Grassano, pecuarista

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