DEBATE
SIM
Em 1988, o movimento sindical conseguiu através da Constituição Federal a redução da jornada de trabalho de 48 para 44 horas semanais. Foi uma luta árdua, difícil, mas vitoriosa. Ficamos diversos meses acampados em frente ao Congresso Nacional, reivindicando essa redução. Na época, a redução gerou milhares de empregos por todo o país. Da mesma forma estamos reivindicando a redução para 40 horas semanais porque sabemos que mais de 2 milhões de empregos serão gerados, como mostram as pesquisas publicadas pelo Dieese. Mais uma vez o movimento sindical vem lutando pelos trabalhadores. Temos certeza que a redução da jornada de trabalho irá ajudar a impulsionar a economia brasileira, pois irá gerar mais empregos, aumentando o poder de compra do trabalhador. Além de melhorar a qualidade de vida desses trabalhadores, com a jornada reduzida eles terão mais tempo para atividades de lazer, para passar com a família e terão mais horas livres para fazer cursos de atualização e aperfeiçoamento profissional. Haverá menos afastamentos e acidentes de trabalho. Muitos empresários e até mesmo alguns trabalhadores não consideram uma ação importante, mas nós sindicalistas sabemos o que é ir de porta em porta, nas indústrias, pedir emprego. Por isso, não vamos medir qualquer esforço para que isso seja concretizado, pois sabemos que muitas famílias serão beneficiadas com essa redução.
Valdir de Souza, secretário-geral do Sindicato dos Metalúrgicos de Londrina
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NÃO
A proposta é negativa para o Brasil. Temos acompanhado há anos a tramitação da proposta de emenda constitucional e ela é predominantemente eleitoreira, política. Isso porque não existem estudos confiáveis que comprovem os supostos benefícios que a redução traria. Ao contrário, a principal consequência da mudança deve ser a redução dos postos de trabalho, por conta da elevação de custos. Não podemos nos esquecer que a carga tributária brasileira incidente sobre a mão de obra é uma das maiores do mundo e que isso reduz nossa competitividade. Reduzir a jornada vai piorar esse quadro. Essa questão é tão séria que os países europeus, os primeiros a adotar medidas desse tipo, estão revendo as reduções. Motivo: perda de postos de trabalho e perda de capacidade de competição. A França e a Alemanha já estão revertendo a redução. Na nossa avaliação, o que os parlamentares estão fazendo é ignorar as consequências graves da mudança para se valer de uma suposta conquista para a classe trabalhadora, que na verdade vai se mostrar depois como um presente de grego. Um ponto fundamental nessa questão é que, na Europa, que conta com excelente infraestrutura, tecnologia de ponta e carga tributária menos nociva, a redução não foi transformada em mais postos de trabalho. Aqui, onde nos falta tudo isso, não será uma canetada do Congresso que fará surgirem milhões de empregos. Mas poderá ser uma canetada a responsável pela perda de muitos deles.
Marcelo Cassa, presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil)