DEBATE
SIM
Existem duas razões para ser favorável às alterações dos índices de produtividade no campo. Primeiro porque a concentração de terras no Brasil continua um absurdo, sendo a principal responsável pelo desemprego no meio rural e até mesmo nas cidades. O exôdo rural foi o principal responsável pelo inchaço das cidades, visto que milhares de camponeses pobres migraram para os grandes centros em busca de emprego, uma vez que a alta tecnologia aplicada no campo substituiu grande parte do trabalho braçal.
Em segundo lugar, a sociedade evoluiu. As pesquisas trouxeram novas descobertas para o campo brasileiro. A cada ano é publicado que o País bate um novo recorde na produção de grãos, o que é possível devido à aplicação de alta tecnologia.
Em um país que tem crédito e seguro agrícola, cuja tecnologia se equipara à de qualquer país do mundo, é preciso rever seus índices de produtividade, pois os números atuais são do período da ditadura militar. As terras que não cumprirem com sua função social nesse novo período histórico devem ser destinadas para a reforma agrária, a fim de corrigir as mazelas sociais causadas pela concentração de terra, que é uma das maiores do mundo.
José Damasceno, coordenador estadual do Movimento Sem Terra (MST) no Paraná
NÃO
Os ''índices de produtividade'' desprezam princípios econômicos básicos, impondo metas ao produtor. O referido conceito desconsidera as perdas decorrentes de adversidades climáticas e tampouco considera as dificuldades provenientes de uma crise de preços.
A obrigatoriedade de se atingir metas de produção, independentemente das condições de mercado, tem sido uma das causas dos desequilíbrios financeiros que criam a necessidade das renegociações das dívidas agrícolas. Quando isso ocorre, o problema, que seria apenas dos produtores, passa a ser de toda a sociedade, pois as renegociações oneram a sociedade como um todo.
Promover a desapropriação de terras através da estratégia dos ''índices de produtividade'' não nos parece ser razoável porque, se tal estratégia fosse eficiente, as duas décadas de sua aplicação teriam sepultado definitivamente a discussão da reforma agrária.
Não se trata de uma questão ideológica, mas de pura lógica, de relação entre causa e efeito e, neste caso, de causa sem efeito. Diante disso, a posição do setor é clara: não concorda com o incremento dos índices de produtividade.
Alexandre Lopes Kireeff, presidente da Sociedade Rural do Paraná





