DEBATE
SIM
A criança não mente, mas fantasia. Aí mora o perigo em ouví-las. Contudo, profissionais de muito boa qualificação podem sim ouví-las com o intuito de ''colher'' informações que ainda estejam obscuras ou que faltam no quebra-cabeça que envolve a morte da menina Isabella. Uma observação dos profissionais ajudaria inclusive as crianças a exporem seus traumas e a partir daí, serem também tratados após a conclusão ou no decorrer das análises. O resultado não teria o peso de uma condenação, mas esclareceria pormenores aos peritos que refletiriam em suas convicções, sejam elas quais forem. Trata-se de uma integração profissional que ao meu ver, seria muito benéfica para o caso.
Ana Maria Ferro de Paula, professora
NÃO
Achei um absurdo essa idéia dos advogados da madrasta de querer ouvir as crianças no julgamento do caso Isabella. É mais uma mostra de que esta família, se é que podemos chamar assim, não dá a mínima importância para os filhos. Uma criança com menos de dez anos de idade não tem discernimento nenhum dos fatos para dar uma declaração que tenha peso em um julgamento. Certamente os advogados fariam pressão na cabeça da criança para ela dizer que o ambiente familiar era ótimo, que nunca presenciou uma briga dos pais. Seria uma irresponsabilidade muito grande da Justiça permitir que os filhos prestassem depoimento. Ainda há muitos indícios a serem investigados, não há necessidade.
Carla Nogueira, dentista





