DEBATE
SIM
Essa é uma das reivindicações do Movimento Negro. Sempre trabalhamos com a questão da inclusão. No ensino, temos as cotas. No trabalho, a idéia de que a população é excluída, tanto na capacitação quanto na contratação. Podemos ver isso nas lojas, onde dificilmente somos atendidos por negros. Agora com a questão da proibição de se solicitar ''boa aparência'', esperamos que isso acabe. Outra questão é que hoje há mais negros formados, essa medida ajuda a colocar mais profissionais no mercado. Quando se fala em cursos de capacitação, não se vê a história do negro. Foram 380 anos de escravidão e apenas 120 desde a abolição. Essas medidas são emergenciais, não devem ser eternas. Sem essas políticas, a situação vai demorar a mudar.
Maria Eugênia de Almeida Pinto, socióloga
NÃO
Os cursos e programas governamentais de treinamento de mão-de-obra e profissionalizantes geralmente são gratuitos e não discriminam quanto à raça. O que pode haver é uma seleção quanto a faixa da renda familiar dos candidatos. Portanto, visualizo como hipocrisia e discriminação em relação à outras raças quando uma empresa reserva vagas para uma determinada etnia. Neste caso é que existe a discriminação, uma vez que as chances de aprendizagem e aperfeiçoamento são parecidas para todas as pessoas. Na minha opinião, enquanto as empresas e o governo ficarem criando excessões estarão premiando o menor esforço. Reitero, todas as raças têm as mesmas chances e por isso é ilícito destinar quotas a uma só.
Adalberto Brandalize, consultor e professor





