DEBATE
SIM
Sou favorável que o Banco Central faça um acompanhamento e interfira no valor do dólar, mas de forma equilibrada. Se por um lado beneficia alguns setores, também prejudica outros. O setor de turismo, por exemplo, fica aquecido com esse cenário, enquanto quem vive de exportação reclama do dólar baixo. Por isso, o ideal é que se busque um equilíbrio no valor da moeda. Estas ações do Banco Central, no entanto, não surtem efeitos tão imediatos. O reflexo da redução da taxa de juros para 12% na última reunião do Copom, por exemplo, deve ser sentido em seis meses. Os custos para o consumidor tendem a cair. Um bom indicador é o preço do pão, influenciado pelo dólar por causa da importação do trigo. Em outros setores, o impacto é imediato. De uma forma ou de outra, os resultados vão aparecer.
Marco Aurélio Pires Garcia, economista
NÃO
Acredito que o Banco Central não deve interferir nesse momento da economia brasileira, devido ao histórico de reservas acumuladas. Se interferir, vai valorizar o dólar e desvalorizar o real. O ideal é deixar como está, porque acaba barateando a importação e favorecendo a entrada de máquinas, equipamentos e tecnologias, reduzindo o custo do setor produtivo. Além disso, o dólar mais baixo favorece a política econômica do governo, que visa o controle da inflação. De certa forma, a ameaça dos produtos importados força a redução de preços. A tendência é que os setores repassem essa queda ao consumidor final, mas às vezes isso não acontece. Se essa redução não chegar ao produto final, a simples ameaça dos importados já é um fator positivo no controle da inflação.
Terezinha Saracini C. Mazzetto, professora de Economia da UEL





