DEBATE
SIM
Antes do Estatuto da Criança e do Adolescente, não havia nem processo para julgar o menor infrator. Junto com esse direito ao processo legal, o ECA trouxe a proposta de ressocialização desses jovens. O Educandário não é um hotel, um spa, mas também não é uma cadeia tradicional com pessoas espremidas em um cubículo. É uma experiência que tem dado muito certo, porque estamos trabalhando o sentido de responsabilidade, com regras e limites. Eles chegam sem nenhum sentido de sociedade, de respeito com o próximo. É consequência da falta de criação, de coisas básicas que a família passa e eles não tiveram. Por isso a gente trabalha esses valores, para que saiam daqui com sonhos, porque sem sonho, não somos ninguém.
Edina Maria de Paula, promotora
NÃO
Da forma como está funcionando atualmente, eles vão ser diplomados e saírem melhores ainda para a criminalidade. A reforma precisa ser feita na sociedade, uma reestruturação da base familiar. A saída é colocar a responsabilidade dos crimes sobre os pais, que não deram educação suficiente para formar o filho. Diminuir a maioridade penal não resolve, iria superlotar os educandários, que virariam depósitos de presos. Nosso sistema é falido. O jovem sabe que pode fazer o que quiser que vai estar protegido. Indo preso, ele não vai se regenerar, só vai aprender a fazer sequestros por telefone e coisas do tipo. Já que não teve a educação dos pais, a saída para o menor é a espiritualidade. Só uma experiência com Deus é que vai recuperar esse jovem para a sociedade.
Luiz Fabiani Russo, advogado





