DEBATE
SIM
Sou totalmente favorável, porque não tem diferença nenhuma em relação ao milho tradicional. Pelo contrário, é até mais vantajoso, pois oferece maior resistência à praga da lagarta que ataca as plantações. O mesmo acontece com outras pragas na soja e no algodão. Como consequência, ainda vai reduzir a aplicação de agrotóxicos, portanto é excelente do ponto de vista técnico. O problema é ideológico. Os ambientalistas compraram uma briga com as multinacionais e ficaram contra o plantio mesmo sem ter conhecimento técnico e argumentos suficientes. Outro problema é que o termo transgênico pegou mal entre as pessoas. Tanto que, quando se fala em ''alimento geneticamente modificado'', não há tanta polêmica.
Sérgio Roberto Dotto, engenheiro agrônomo
NÃO
Sou contra. Não existe pesquisa voltada para as condições climáticas e de solo do Brasil garantindo a segurança no uso do produto. Só para citar um exemplo, a Bayer pediu para a CNTBio autorizar o plantio do milho transgênico chamado Liberty Link (LL), e, a partir do primeiro cruzamento, não vai mais precisar de novas autorizações. Como o milho tem fecundação cruzada, se não respeitar uma margem de pelo menos 500 metros, pode fecundar com milho não-transgênico, e a Bayer terá o direito de cobrar royalties pelo produto. Não é certo que um grupo de 14 membros da CNTBio tome sozinho a decisão e autorize o plantio do milho transgênico, sem que seja feita uma divulgação e o tema seja discutido amplamente pela sociedade.
Paulo Roberto Mrtvi, mestre em Meio Ambiente e Desenvolvimento





