DEBATE
SIM
Acredito que sim. Sou totalmente favorável à fidelidade partidária. O deputado consegue se eleger pelo índice de votos na legenda. Não pode usar o partido e trocar depois, movido por outros interesses. Essa iniciativa do TSE é importante para moralizar a classe política, que está com a imagem muito desgastada. A culpa dessa troca constante de partido entre os parlamentares também é resultado do número excessivo de legendas que temos na política brasileira. Talvez se fossem umas cinco ou seis, haveria uma fidelização e acabaria com as mudanças constantes. Mudar a regra do jogo na situação em que a política se encontra é complicado, mas é algo que precisa ser feito. Se a lei não for levada a sério, vai acabar não pegando e a imagem dos parlamentares continuará ruim.
Orlando Bonilha, vereador
NÃO
O eleitorado brasileiro não tem amadurecimento político suficiente para fazer essa medida dar certo, e mudar esta cultura é muito difícil. Na teoria, o mandato do parlamentar pertence ao partido, mas, na prática, a população escolhe e vota no candidato, não na legenda. Foi o caso do Enéas, em São Paulo, que se elegeu deputado com uma votação expressiva e acabou levando mais quatro parlamentares do PRONA para o Congresso. Se essa medida passar a valer, vai engessar o sistema político e o governo continuará comprando deputados e partidos. Não é a solução para o problema. A lei também vai dar um poder muito grande aos partidos, que poderão perseguir políticos filiados que votem contra os interesses da legenda.
Mário Sérgio Lepri, cientista político





