SIM
Sou a favor. As pessoas têm o direito a ter qualidade de vida. E a realidade é que os descendentes negros, em função da escravidão, acabaram alijados do processo educacional. Mesmo as pessoas de periferia brancas levam vantagem. O sistema de cotas é fundamental para proporcionar chances justas. Nenhum país do mundo pode se dar ao luxo de manter 51% da população fora do processo social. Se o Brasil quiser se desenvolver terá que incluir. Se considerar que a maior parte da população é formada por negros, já temos uma dimensão do problema. As cotas são provisórias, mas dá certo. Quando o aluno entra por esse sistema, no ano seguinte vemos o primo, o vizinho querendo tentar também. O mais importante é colocar a educação como perspectiva de vida para essas pessoas. Não existindo o sistema, muitos nem pensariam em fazer faculdade.
Helena Maria Andrei, professora da UEL

NÃO
Não concordo com esse sistema como facilitador para a entrada na faculdade pública. Poderia admitir o sistema para alunos carentes - o Prouni já está tentando resolver. Mas, para alunos que vêm da escola pública não faz sentido. O Estado precisa investir na qualidade do ensino para garantir ao aluno que vem da escola pública as chances de entrar no processo normal. As cotas raciais estão inseridas dentro das cotas para a escola pública. De um modo geral, não concordo com cota nenhuma. Um aluno de boa qualidade de escola particular está sendo prejudicado neste processo. Não se pode discriminar um aluno que está bem preparado somente porque ele estudou em escola particular. Se o que se quer é aumentar o número de alunos nas universidades, a solução é aumentar o número de vagas.
Alderi Ferraresi, diretor do Colégio Universitário

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