DEBATE
SIM
Sou favorável. De acordo com especialistas, a soja transgênica não traz problema à saúde do ser humano. Para esclarecer, a tecnologia que temos disponível hoje no Paraná é a soja transgênica resistente ao glifosato (um tipo de herbicida).
A Comissão de Segurança do Governo Federal, que discute o que pode ser pesquisado e comercializado no Brasil, liberou este tipo de soja. Ano a ano, tem crescido significativamente a área de produção.
É mais uma ferramenta disponível e um tipo de tecnologia eficiente, que pode ajudar em programas de sustentabilidade e inclui série de práticas como a rotação de culturas. Esta tecnologia precisa ser monitorada durante cinco anos para verificar se não trará impacto ao meio ambiente, com regras de uso e conceitos agronômicos a seguir. Outra vantagem é a facilidade de uso apontada pelos agricultores. Há preocupação de fazer o uso correto da tecnologia, até porque a gente quer que ela perdure.
Dionízio Gazziero, presidente da Federação dos Engenheiros Agrônomos do Paraná
NÃO
Nos cinco anos após a liberação das sojas RR nos EUA, as exportações brasileiras tinham crescido em 12,5 mi de toneladas, enquanto as americanas caíam no mesmo volume. Quando o Brasil liberou a soja transgênica, jornais americanos anunciaram o fato em manchetes felizes: perdia-se a vantagem brasileira.
Eu estava lá. Na época, noticiava-se aqui 20% a 50% de redução no custo de produção. Nos EUA, era 5% menos, devido ao preço mais baixo do glifosato, mas a produtividade era 5% menor. No Paraná, os herbicidas levavam 12% do custo da soja. O milagre era economizar 20% ou 50% do custo total num item que pesava 12% desse custo! Mas, ao menos, uma única passada de herbicida matava todas as ervas, exceto as tolerantes ao glifosato. Seriam necessárias doses maiores. O limite legal de resíduo foi alterado de 0,02 ppm para 10 ppm, 50 vezes mais!
Quanto à saúde humana, não sabemos o que advirá, a longo prazo, do consumo da soja RR, nem do uso ampliado de glifosato. Faz sentido nos expormos a riscos para perdermos comercialmente?
Carlos A. Khatounian, engenheiro agrônomo do Iapar





