SIM
Dou esmolas àqueles que apresentam visível estado de miserabilidade. No Brasil seres humanos miseráveis são transparentes. Não existem para os governos, embora somem perto de 40 milhões de brasileiros.
Estou errado? Temo que sim, mas minha consciência não permite que um ser humano morra ou sofra por falta de um medicamento ou mesmo de um pedaço de pão. As ONGs e instituições públicas, inclusive hospitais, estão lotados, sem capacidade para atender.
A publicidade governamental alerta para não dar esmola, mas devemos deixar que morram? Então por que o governo não assume essa chaga ou só servem para votar?
Depois falam dos maus eleitores, que trocam o voto por uma cesta básica. Esquecem de raciocinar que a miséria é má conselheira e um pedaço de pão soa como um banquete.
Darci Nunes, bancário aposentado


NÃO
A pessoa pede porque assim lhe foi ensinado. O pedinte justifica que é melhor pedir do que roubar. Já a pessoa que dá esmola sabe que essa não é a solução do problema. Tenta fazer um bem a si próprio, como uma penitência para se aliviar de algo que pode ter feito de errado. Dá, sabendo que não está ajudando, mas justifica dizendo que fez sua parte.
Se considerarmos a sociedade como um sistema fechado, torna-se lógico que o sustento de todos seus integrantes sairá dela mesma. Partindo desse princípio, todos deveriam ter o direito à alimentação básica, e jamais usar a fome como motivo para pedir ou roubar.
É melhor a sociedade, por intermédio do governo, dar alimentação ''numa boa'', do que gastar com roubo, polícia e penitenciárias e depois ainda ter de dar alimentação e moradia ao indivíduo. Nega-se alimento a um cidadão e se oferece a um condenado. Até quando?
Chico Nehring, engenheiro agrônomo

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