DEBATE
SIM
Fiz parte da comissão que editou essa resolução. Na segunda metade do século XX houve um avanço técnico extraordinário, mas não foi feita uma reflexão ética a respeito.
A UTI hoje tem um arsenal gigantesco, que vinha sendo aplicado de maneira acrítica. Muitos doentes terminais, em vez de beneficiados, tinham suas agonias prolongadas.
A discussão sobre adotar procedimentos para se prolongar a vida do paciente terminal acontece todos os dias nas UTIs. Essa resolução veio permitir que a pessoa morra de forma digna. Se o paciente ou a família tiverem suas convicções religiosas, os médicos não vão fazer nada para contrariá-los. Vai depender unicamente da vontade da pessoa ou da família.
José E. Siqueira,
presidente da Sociedade Brasileira de Bioética
NÃO
Mesmo considerando que o diagnóstico médico determine a doença como terminal e incurável, ainda existe a possibilidade de uma intervenção divina. Já foram registrados casos em que Deus interveio, atendendo muitas vezes à fé cristã dos familiares, que rogaram por um milagre. Os próprios médicos sabem disso.
Entendo que a decisão foi tomada levando-se em conta o sofrimento do paciente, mas a medicina tem meios de diminuir esse sofrimento.
Outra preocupação é em relação a uma possível ''indústria de órgãos''. Não se sabe quem é que vai ter acesso a essas informações. Pode acontecer de alguém se infiltrar, trabalhando para acelerar a morte de um paciente, tendo em vista o tráfico de órgãos.
Edson O. Filho,
pastor da Igreja Missionária Peniel





