SIM
Para responder se sou contra ou a favor da legalização do aborto, há que primeiramente tornar a discussão mais ampla, mesmo porque trata-se de um tema complexo que aborda aspectos como direitos da mulher em escolher ter ou não uma gravidez; liberdade sexual da mulher, que já não mais aceita ser vista como mera reprodutora e luta pelo direito de exercitar o prazer do ato sexual; e outros tantos aspectos que foram objeto de luta pelos movimentos de mulheres no Brasil e no mundo.
Para tratarmos da legalização do aborto, não podemos nos ater simplesmente ao ''contra ou a favor'', isso seria dar corda a uma polêmica falsa e rasa. O tema merece ser debatido com números verídicos e histórias reais. Trazer à tona a realidade estatística que os números nos mostram é primordial para chegarmos a um denominador comum que precisamos. Pesquisa recém-realizada pela Universidade de Brasília (UNB) e pelo Instituto de Bioética, Direitos Humanos e Gênero aponta que uma em cada sete brasileiras já abortou, cerca de 80% delas têm religião, 64% são casadas e 81% são mães, ou seja, o aborto é uma realidade na vida de nós, mulheres.
É preciso sim legalizar o aborto no Brasil, e quando falamos em legalização falamos também em chamar o Estado à sua responsabilidade no que diz respeito à efetivação de políticas públicas universais garantindo qualidade na gestação, no parto e no puerpério, além de garantir também políticas universais que envolvem cuidados com as crianças. Ademais, em um país livre e democrático, deveria ser condição sine qua non, que nenhuma mulher que tenha feito aborto possa ser presa, punida, humilhada ou maltratada.
Dóris Margareth de Jesus, coordenadora estadual da União Brasileira de Mulheres


NÃO
Houve um momento em minha vida que presenciei a morte de uma pessoa querida. De maneira lenta o sopro de vida foi sendo tirado e num instante tudo parou. Vida, como lutamos por ela, é nosso instinto. É sobre a vida que quero refletir. Quando fazemos visitas a enfermos esta realidade fica mais evidente. A luta por mais tempo, mais saúde, mais dias. Convivo com pessoas que, mesmo sem constar o nome do pai no registro de nascimento, têm vida em abundância: alegria, sonhos, inteligência, conquistas. Lutam diariamente pela vida.
Conheço pessoas que desejam gerar vida e não podem, buscam através da medicina, e algumas não conseguem nem mesmo com todos os recursos disponíveis hoje em dia. Já aconselhei pessoas que tiveram a gestação interrompida, vidas marcadas e aquelas que desejavam a morte, vidas sem esperança, estavam emocionalmente doentes. Defendo a vida. Não importa a doença durante a gestação. Por anos de trabalho, aprendi com muitos deficientes múltiplos. Se a violência foi brutal, não pagamos com a mesma moeda.
O direito de escolha, antes devemos ter o direito à educação. Há muita informação, mas pouca aprendizagem. Além de toda reflexão, reconheço que tudo que Deus cria é muito bom (Gênesis 1.31), ele sopra o fôlego de vida (Gênesis 1.7), gera cada pessoa no ventre e quando ainda somos substância informe, escreve todos os nossos dias (Salmo 139. 13-16). Deus dá a vida e somente Ele pode tirá-la. Assim eu creio.
Maria Helena Santos Faleiros, pastora

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