DEBATE - Você é a favor da redução da idade mínima para começar a trabalhar?
SIM
Sou a favor, porém, para pensarmos questões acerca da juventude, como a redução da idade mínima para começar a trabalhar, é importante, sobretudo, compreender o seu universo, suas perspectivas, e quais são os objetivos que norteiam essa juventude hoje no Brasil. Pesquisas recentes apontam uma mudança no perfil dos jovens. Eles estão muito mais preocupados com questões concretas que afetam sua felicidade e autonomia. São muito mais pragmáticos do que gerações passadas. Esse novo perfil é consequência da dinamicidade do mundo moderno, que valoriza habilidades como autoconfiança, criatividade e flexibilidade. Está se desmistificando a ideia de que só é possível aprender dentro da escola, e de que aqueles que engrossam os índices da evasão escolar são os que precisam trabalhar. A evasão escolar se dá por falta de interesse, e não está ligada diretamente a questões que envolvem o trabalho. A maioria dos jovens associa o trabalho à independência e não à necessidade. A escola poderia criar oportunidades a partir de parcerias com empresas privadas ou órgãos públicos para aqueles que se mostram interessados numa experiência profissional antes dos 16 anos. É fato que esse trabalho deve, primordialmente, respeitar as condições físicas, intelectuais e morais daquele que opta em trabalhar, amparado pela lei.
Amanda Cristina Andrello Costa, socióloga
NÃO
O Brasil possui uma das mais elevadas taxas de concentração de renda, riqueza e propriedade do mundo. Esta acumulação revela cenários de péssimas condições de vida e de trabalho de imensa parcela da população, e mostram a desigualdade em que os 10% mais pobres ficam com apenas 1,1% da renda do trabalho, enquanto os 10% mais ricos ficam com 44,7%. E são justamente os jovens das camadas populares que irão arcar novamente com o custo do trabalho, caso seja aprovada qualquer lei de redução de idade para acesso ao trabalho. Por outro lado, é fundamental destacar que o Brasil conquistou uma política pública voltada para infância/adolescência com o ECA. Defendo o aumento da idade para o ingresso no trabalho para depois dos 20 anos. Os filhos das famílias ricas raramente iniciam suas atividades laborais antes do término do Ensino Médio. Por outro lado, filhos das camadas populares são obrigados a iniciar cedo as atividades produtivas, têm pouco tempo para a formação profissional e acabam por ocupar espaços de baixa qualificação. Se quisermos um país realmente desenvolvido, devemos apostar na formação continuada das crianças e dos adolescentes e enfrentar os atrasos educacionais. Não é com a inserção precoce no mundo do trabalho que iremos enfrentar a violência, o abandono, a exclusão social, as drogas, e sim com investimento em educação e políticas públicas.
Elza Maria Campos, coordenadora do curso de Serviço Social da UniBrasil





