DEBATE - Propagandas que têm crianças como público-alvo devem ser proibidas?
SIM
As propagandas comerciais que têm como público-alvo as crianças devem ser proibidas, ou pelo menos regulamentadas. Vários estudos demonstram que as propagandas influenciam os hábitos de consumo entre crianças e adolescentes. Até aqui não há problemas, pois as propagandas podem ser fontes de informação. No entanto, outros estudos demonstram que nem sempre a preocupação central das propagandas é fornecer informação sobre determinado produto, mas torná-lo atraente para que seja consumido.
Silvana Lopes dos Santos e Mario Otávio Batalha apresentaram o trabalho ''A ética na propaganda de alimentos: uma análise a partir de comerciais de televisão'' no XLV congresso da Sociedade Brasileira de Economia Administração e Sociologia Rural (Sober), em que afirmam que há uma ''prevalência de comerciais de alimentos no período da manhã, voltados principalmente ao público infantil, sendo a maioria destes produtos ricos em açúcares e gorduras.'' Destacam ainda que ''o fator mais problemático é que mais de 90% dos atores ou modelos destes comerciais são magros ou muito magros, e anunciam produtos ricos em calorias.'' Este tipo de estratégia pode influenciar as pessoas a pensar que o consumo de tais alimentos não as levará a ganhar peso. É evidente que o consumo de determinados produtos depende de um grande número de variáveis. No entanto, é igualmente evidente que a propaganda tem um grande peso dentre estas variáveis.
Wilson Sanches, sociólogo
NÃO
A proibição da propaganda dirigida às crianças, pura e simplesmente, não funciona nem é justa. A publicidade brasileira, assim como em outros países, é regida por regras. A publicidade dirigida às crianças é cercada de mais cuidados, pois sabemos da imaturidade e da fragilidade do julgamento infantil. Os bons profissionais seguem essas recomendações e por isso não vejo motivos para proibição, visto que o trabalho está seguindo todas as normas. Defendemos que aqueles que não seguirem as regras devem ser punidos conforme a legislação. Outro ponto importante a ser levado em conta é a forma como os pais educam seus filhos. Eles são responsáveis em educar, em formar pessoas conscientes e responsáveis. Não é justo transferir para as agências de propaganda esta incumbência. Muitos pais preferem o conforto de não ter que dizer não para a criança e por isso defendem a proibição da propaganda. Cabe aos pais a definição de compra. São os adultos os responsáveis em dizer o que pode ou deve ser comprado e usado pelos filhos e não o contrário. É difícil resistir aos apelos infantis, mas os pais precisam saber fazer isso e não ficar dependentes de decisões de terceiros. Novos produtos surgem a todo o momento. Não será cerceando a propaganda que se cerceará o consumo. É preciso educar para o consumo.
Luiz Felipe de Souza, diretor da Associação dos Profissionais de Propaganda (APP) de Londrina





