SIM
O valor da tarifa do transporte coletivo no governo Barbosa Neto sempre foi tratado com base em parâmetros técnicos e não políticos. A tarifa é definida por uma planilha constituída de diversos elementos como óleo, pneu, salários e encargos de motoristas e cobradores, entre outros itens. Se o custo do sistema aumentar, a consequência é a tarifa, igualmente, sofrer aumento. Conforme cálculos da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), se a tarifa aos domingos for cobrada com 55,56% de desconto (R$ 1,00) teríamos, de imediato, um aumento na gratuidade em 126.111 usuários mensais, o que resultaria numa necessária elevação da frota utilizada atualmente, que gira em torno de 33% do total de ônibus em circulação num dia normal de semana. Ao contrário do que imagina o autor da domingueira, com o aumento da demanda, faz-se necessário o acréscimo de veículos, de quilometragem, de horas operacionais e de mão de obra. Considerando que não haveria aumento dos custos operacionais, a tarifa, num curto espaço de tempo, teria que ser calculada em R$ 2,3280. Portanto, é uma ilusão achar que, reduzindo a tarifa no domingo, o passageiro vai economizar, porque a tarifa menor num dia significa maior valor no restante da semana. Para concluir, queremos ressaltar que o projeto da domingueira é inconstitucional. De acordo com o disposto no art. 61, 1 º, inciso II, alínea ''b'' da Constituição Federal de 1988, a iniciativa de leis que disponham sobre serviço público é privativa do chefe do Executivo e não de vereadores.
Wilson de Jesus, diretor de Transporte e Trânsito da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU)


NÃO
Não. Caso isto fosse verdade a CMTU, órgão responsável pelo gerenciamento do sistema de transporte coletivo em Londrina, deveria ter se manifestado enquanto o projeto, de minha autoria, esteve em discussão na Câmara de Vereadores. A matéria foi encaminhada para análise da CMTU nos meses de outubro e dezembro do ano passado e o órgão simplesmente não se manifestou. Por outro lado, o prefeito Barbosa Neto vetou o projeto - e o veto foi mantido pela Câmara - ignorando o alcance social da tarifa domingueira. A Câmara, porém, poderá discutir novamente este assunto e vou defender a mesma ideia: tarifa a R$ 1,00 aos domingos. Em Londrina, a maioria dos ônibus circula vazia ou com poucos passageiros aos domingos. Em Curitiba, onde a tarifa foi implantada há cinco anos, ocorreu um acréscimo inicial de 40% no número de passageiros, sem a necessidade do aumento do número de ônibus ou acréscimo de quilometragem. Agora pergunto: ônibus vazio não dá prejuízo? As empresas não vão ganhar com o aumento do número de passageiros? A tarifa domingueira incentivará as pessoas a usar o transporte coletivo nos finais de semana para visitar parentes, conhecer a cidade, enfim, para o lazer e para atividades comunitárias. Tenho certeza que em Londrina o acréscimo de passageiros seria absorvido com tranquilidade pela atual frota disponível aos domingos. Não acredito em qualquer impacto no sistema e, por isso, seria desnecessário o aumento da tarifa nos demais dias da semana.
Paulo Arildo (PSDB) é vereador em Londrina

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