De volta para o futuro - Roberto Requião
PUBLICAÇÃO
sábado, 03 de outubro de 1998
Roberto Requião 
Não há mais como mentir ou esconder: o Paraná quebrou. A nossa tradição de governos equilibrados, sensatos, parcimoniosos foi rompida nesses últimos três anos e oito meses. Qual fosse o governador, de que partido fosse, o Paraná destacava-se no País por administrações conservadoras, no que dizia respeito às finanças públicas, ao controle dos gastos, à manutenção de uma máquina administrativa enxuta e eficiente.
Nunca vendemos patrimônio para cobrir furos de caixa. Nunca permitimos que os gastos com a folha de funcionários ultrapassassem os limites impostos pela lei ou pelo bom senso (quando tal dispositivo constitucional ainda não existia). Nunca emprestamos além da certeza do pagamento. Nunca o vermelho do déficit manchou o nosso livro-caixa.
Nunca. Até o atual governo. Toda a nossa tradição, sobriedade e moderação foram subvertidas. E eis o Paraná em cacos. Tudo o que construímos e acumulamos em 145 anos de emancipação política repentinamente comprometido, arruinado.
E é por isso que quero governar o Paraná. Para colocar de novo a nossa casa em ordem. Para que voltemos à nossa secular tradição de equilíbrio e seriedade. Meu Deus! Não é possível, em tão pouco tempo, destruir tanto. Como se fosse uma horda de bárbaros (Átila não teria feito melhor), não deixaram nada de pé.
Foi-se o Banestado, quebrado pela incúria e pelos desvios. Foram-se as estradas, privatizadas pelo pedágio injusto. Vão-se a Sanepar e a Copel, à venda para cobrir furos de caixa. As finanças públicas estão arruinadas. Há uma anarquia total nos gastos. A situação é tão caótica que o governo passou a esconder as despesas, deixando de publicá-las nos Diário Oficial. Foi-se o princípio da autoridade e da transparência. Perdeu-se o controle da segurança pública. As políticas públicas foram abandonadsas. A saúde, a educação, o saneamento, a habitação brilham na propaganda tão-somente.
Ao mesmo tempo, uma política de incentivos antiparanaense e antibrasileira desorganiza e destrói o nosso sistema produtivo privado, lançando os nossos empresários e os nossos agricultores na crise e na incerteza, jogando milhões de trabalhadores no desemprego e na angústia.
Provincianos deslumbrados e colonizados atiram-se às montadoras de automóveis com a mesma sofreguidão com que os prefeitos de antigamente extasiavam-se diante de suas fontes luminosas. Abjuram as nossas raízes agroindustriais, ridicularizam nossas tradições e embarcam maravilhados nas quatro rodas de uma modernidade desconjuntada.
Os pátios das montadoras - aqui e além-mares - repletos de carros encalhados apontam qual é o futuro.
É por isso que quero governar o Paraná.
Para colocar de novo a nossa casa em ordem. Para, junto com esse povo bom, sério e trabalhador, refazermos o caminho. Em primeiro lugar, restabelecer a probidade e o equilíbrio nas contas públicas. Depois, restaurar as políticas públicas da saúde, da educação, da habitação e da segurança. E, simultaneamente, jogar pesado no incentivo à agricultura, à agroindústria, às pequenas e médias empresas.
Não há muito o que inventar. Políticas simples, objetivas e de rápida maturação, que, imediatamente, criem mais empregos e mais rendas. A base para isso nós temos. Basta pulso, coragem, firmeza e um profundo sentimento de amor, solidariedade e paranismo.
Coragem, Paraná!
Ainda é hora de recuperarmos o tempo perdido.
- ROBERTO REQUIÃO é senador pelo PMDB-PR e candidato ao governo do Estado pela Coligação Mais Paraná


