''Nossa política externa estará baseada nos valores clássicos da tradição diplomática brasileira: promoção da paz, respeito ao princípio de não intervenção, defesa dos Direitos Humanos e fortalecimento do multilateralismo.'' O trecho acima é do discurso de posse da presidente Dilma Rousseff. Principalmente no que diz respeito aos direitos humanos, a ruptura do atual governo, de continuidade por natureza, é indiscutível.
Exemplo disso foi a posição que a diplomacia brasileira tomou nesta semana na Organização das Nações Unidas (ONU). O Brasil, ao lado de outras 21 nações, votou a favor do envio de um relator especial para investigar as violações de direitos humanos no Irã. Uma ruptura em relação à forma como assunto vinha sendo tratado nos últimos dez anos.
Na justificativa apresentada ao voto, a diplomacia brasileira disse que o Irã não tem colaborado com a comunidade internacional e que a presente resolução é reflexo de uma avaliação compartilhada de que a situação dos direitos humanos naquela região merece atenção.
A embaixadora do Brasil no Conselho dos Direitos Humanos da ONU, Maria de Nazaré Farani, completou: ''É motivo de especial preocupação a não observância de moratória sobre a pena de morte, não apenas no Irã, mas em todos os países que ainda praticam a execução de pessoas como forma de punição''.
O Brasil tem ligação histórica muito forte com a defesa dos direitos humanos, que a posição que o País vinha tendo em relação ao regime iraniano contrariava. Prova disso foi a forma como se portou diante do episódio envolvendo a condenação de Sakineh Ashtiani à morte por apedrejamento, por suposto adultério e conspiração pelo assassinato do marido.
Em agosto do ano passado, quando instigado a pedir pela libertação da mulher, o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva disse que não poderia se intrometer, senão viraria ''uma avacalhação''. Diante da grita geral que a afirmação provocou, Lula voltou atrás e ''ofereceu'' asilo à condenada.
Candidato permanente a um papel de destaque na ONU, o Brasil precisa resgatar o respeito internacional, que ficou manchado depois de tantas escolhas erradas de defesas e ''amizades''. A guinada desta semana foi um bom começo.

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