Em um país ainda de cultura machista, o resultado é o grande número de casos de violência contra as mulheres. No entanto, além do fato em si – geralmente crimes chocantes – o que ainda chama atenção é o fato de as vítimas se sentirem responsáveis pela atitude criminosa e, dessa forma, são julgadas pela sociedade. É o caso de estupros e crimes passionais.
Recente pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (órgão do governo federal) apontou que 26% dos brasileiros apoiam ataques a mulheres que mostram o corpo. É um contingente muito grande de pessoas que, pode-se afirmar, são favoráveis à prática de crimes que violam a dignidade das mulheres. Corrobora para isso, comentários feitos em rodas de amigos ou via redes sociais de que a violência foi favorecida pela vítima.
No último caso de grande repercussão em Londrina, dois jovens foram condenados por estupro de vulnerável. Eles são acusados de sedar a vítima e levá-la a um motel onde praticaram a violência sexual. Um dos jovens é estudante de Direito, enquanto o outro permanece foragido. O primeiro conseguiu habeas corpus e ficou apenas duas horas preso. Diante de um caso como esse, impossível não questionar a decisão que liberou, ao menos, temporariamente o jovem. Se não houver penalização dos culpados, a tendência é que práticas criminosas só aumentem, uma vez que não há punição. Além disso, também reafirma a opinião popular de que a Justiça é feita para poucos.
Formalizar denúncia de um crime como esse é um ato de coragem da vítima, mas que também pode causar grande sofrimento e constrangimento. Além da violência, é preciso rememorar o fato e, depois de esperar anos pela sentença, ainda verificar que os agressores continuam em liberdade.
Por isso, ao invés de culpar a mulher é preciso encorajá-las a denunciar todo tipo de crime. Os homens não devem ser tratados como seres irracionais, que agem puramente pelo instinto. Pelo contrário, a construção de uma sociedade justa e igualitária só se concretizará quando de fato houver igualdade e respeito entre os sexos.

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