A escolha da TV digital que o Brasil adotará será condicionada à concessão de contrapartidas econômicas por parte dos países detentores da tecnologia escolhida estão na disputa os padrões europeu, norte-americano e japonês. Se o Brasil vai abrir um mercado bilionário, que envolve a troca gradual de todos os aparelhos de televisão ao longo de 10 anos, além de equipamentos de produção e transmissão para a televisão digital, poderá negociar em troca benefícios econômicos. Os estudos técnicos estão sendo feitos e a definição ficará a cargo do novo governo.
Caberá ao novo governo também decidir o que fazer com o projeto de construção da usina nuclear de Angra 3, cujos equipamentos já foram adquiridos e estão estocados no canteiro de obras do complexo nuclear de Angra dos Reis. O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), decidiu manter em andamento os estudos de viabilidade, de modo que será possível tomar uma decisão em maio.
Na prática, a equipe de Fernando Henrique concluiu que o projeto deve ser sepultado, mas deixou a palavra final para o futuro governo. Os estudos técnicos mostram que a energia nuclear é cara e não compete com outras fontes.
Outro tema que está ocupando os técnicos neste ano mas que só deverá ter um desfecho em 2003 é revisão tarifária do setor elétrico. As concessionárias poderão rever suas tarifas visando à manutenção do equilíbrio econômico-financeiro das empresas. Essa revisão está prevista nos contratos, mas há uma discussão sobre qual parâmetro será utilizado para determinar a referência se a empresa está equilibrada do ponto de vista financeiro ou não. Discute-se se a referência seria o preço de mercado dos ativos das empresas, ou se é o preço pago pela concessão à época da privatização.
O governo decidiu leiloar parte das suas ações do Banco do Brasil, permitindo aos trabalhadores as comprem com recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). São ações que excedem o necessário para o governo manter o controle sobre a instituição financeira. Mas o nervosismo no mercado financeiro e a crise na economia mundial deprimiram o mercado acionário. Portanto, não seria bom momento para colocar as ações à venda.
O próximo governo terá de lidar com o fato que a alíquota da CPMF cairá dos atuais 0,38% para 0,08% em 2004.
Portanto, será necessário encontrar uma maneira de cobrir o ''buraco'' que se abrirá nas receitas. Ou se prorroga a alíquota mais alta da CPMF, ou se cortam gastos, ou se acha alguma outra fonte de receita.
A DRU (Desvinculação de Receitas da União) é um importante instrumento para o governo driblar a rigidez na aplicação das receitas, que em sua maioria têm usos específicos. A DRU permite ''descarimbar'' até 20% desses recursos, dando mais flexibilidade para colocar o dinheiro do governo em áreas prioritárias. Há problemas do próximo governo que terão de ser resolvidos na atual administração. Um deles é a manutenção da alíquota de 27,5% do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF). Se nada for feito, a alíquota será reduzida para 25% a partir de janeiro. A nova alíquota terá de ser aprovada até dezembro para valer em 2003.

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