Estamos engolfados numa das tonalidades da civilização hodierna: a violência. A maneira como a aceitamos, tal qual se trata de uma rotina contra a qual não há sinais de reversão, só é rompida pela dimensão exagerada de um evento como esse do Rio de Janeiro em que um jovem armado matou 11 crianças e feriu outras tantas num ato de extrema loucura, ainda que comum no primeiro mundo em termos estatísticos como se viu tantas vezes especialmente nos Estados Unidos da América do Norte.
O abalo da ocorrência é de tal impacto que torna inútil a linha de exegese, de interpretação sociológica ou criminalística, que se segue como se viu no desfilar de especialistas. Curiosamente no dia anterior o ex-prefeito de Nova Iorque, Rudy Giuliani, o homem da cruzada da ''tolerância zero'', como conselheiro contratado para a segurança dos Jogos Olímpicos, fez alerta sobre a possibilidade de o Brasil, especialmente o Rio de Janeiro, tornar-se alvo das ações do terror organizado. Para quem viveu como autoridade o atentado das torres gêmeas de 2001 em Nova Iorque tanto as Olimpíadas como a própria Copa do Mundo podem se tornar um alvo desses fanáticos. Sua argumentação é forte: quando um país sedia Jogos Olímpicos ou a Copa do Mundo internaliza, isso é importa, a problemática do mundo para as suas fronteiras.
Um ato isolado como esse do Rio de Janeiro é uma das formas inesperadas e de difícil previsão de terror, mesmo que não vinculado a uma organização, embora a visível personalidade psicótica e centrada num fundamentalismo religioso do autor do massacre, como se deduziu da carta deixada que indica a intenção do suicídio com recomendações ritualísticas em relação ao seu corpo e para que os ''ímpios'' dele não se aproximem.
Aquilo que era marca dos países cosmopolitas chegou até nós, patologia do primeiríssimo mundo. Só que onde se deram esses atentados os países têm bases mais sólidas de segurança em questões elementares que mal enfrentamos. Essa constação torna mais agudo o alerta de Giuliani anteontem em Genebra.

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