De quem é a culpa?
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quinta-feira, 19 de abril de 2007
Célia Polesel<br>Reportagem Local 
O secretário de Saúde de Maringá e presidente do Conselho Estadual de Secretários de Saúde, Antônio Carlos Nardi, diz que não se pode atribuir culpa a ninguém no aumento na dengue. Maringá tem mais de mil casos confirmados da doença e cerca de três mil aguardando exames. Segundo ele, em uma doença transmitida por um ''vetor que voa'', o cuidado precisa ser diário. ''Um simples descuido, pelo poder público ou pela comunidade, pode levar a uma situação descontrolada. A dengue exige adesão comunitária.''
A situação em Maringá saiu do controle?
Não. A situação é grave e vem sendo trabalhada, discutida há bastante tempo, numa ação ininterrupta. O problema está na banalização da doença por parte de todos, fazendo com que residências e terrenos ainda tenham criadouros.
A campanha para combater o mosquito está todos os dias na mídia e existem os agentes de saúde. Então como é que se chegou a esse ponto? Quem banalizou a doença para que as pessoas deixassem de se preocupar com ela?
Estamos falando de uma situação nacional. Não é por falta de informação, o programa está contínuo desde 1995. Hoje, o maior criadouro está no pratinho embaixo do vaso de flor, que está presente em praticamente todas as residências do Brasil.
A população está menos conscientizada?
Falamos de dengue há mais de 30 dias porque a situação se alastrou por vários municípios do estado. Estamos com 48 municípios tidos como prioritários e 33 como maior ação focal, na região de Londrina, Maringá, Foz de Iguaçu e Guaíra. Hoje, há uma adesão maciça da sociedade civil organizada, mas, infelizmente, só porque atravessamos uma situação extremamente delicada. Não haveria visibilidade se tivéssemos 60 casos de dengue.
Qual a responsabilidade do poder público?
O poder público tem uma parcela de responsabilidade na questão da educação continuada, da informação e da verificação. Mas poder público nenhum tem pernas para fazer arrastões para tirar lixo de quintais. Em época de crise é que são feitos. Em Maringá fizemos um mutirão dias atrás, quando foram retirados 143 caminhões de entulho dos quintais. Dali 15 dias, passamos pelos bairros e muitas das casas das quais tínhamos retirado lixo, já haviam juntado tranqueira de novo.
Como o combate à dengue será intensificado?
Vamos intensificar as campanhas com um apoio maior do governo do estado. Hoje, o repasse que o Ministério da Saúde faz aos municípios não cobre nem os custos da contratação dos agentes de endemias. Trabalharemos também com a Secretaria Estadual de Educação, porque precisamos formar multiplicadores. Mudança de comportamento só se faz com o aumento de multiplicadores. É essa proatividade que precisamos utilizar, principalmente em uma época crítica como a que estamos vivendo agora.
E a falta de kits para exames?
Os kits são uma responsabilidade do Ministério e da Secretaria Estadual de Saúde. Houve um atraso, mas a situação já está se normalizando. A questão do kit é cultural. A coleta do exame só se dá no sétimo dia após a manifestação da sintomatologia. Ela não interfere na conduta clínica porque o paciente, do sétimo ao décimo dia após a manifestação da doença, já está curado.
Mas esse exame não é importante para o controlar a doença?
É absolutamente importante, inclusive para a questão do perfil epidemiológico que a gente tem que construir. Mas digo que, em uma época assim, quando 33 municípios estão em situação crítica... O Mato Grosso do Sul não faz hoje mais sorologia, porque os sintomas estão tão clássicos que já estão sendo considerados notificados os casos clínicos confirmados, não se usando o critério laboratorial.


