Muito tem-se falado nos últimos dias a respeito do trabalho infantil. Não acredito que pelo simples fato do menor trabalhar ficará avesso às drogas e, muito menos, distante de cometer delitos mais graves.
Diz muito bem o velho ditado: ''O trabalho dignifica o homem''. Esses menores atraídos pela facilidade de obterem dinheiro fácil vendendo drogas, será possível que tenham conhecimento dos valores éticos e morais que regem a sociedade? O que sabem eles sobre dignidade se a vida para eles sempre foi indigna?
Não raras vezes, o pai está desempregado, a mãe sempre grávida, panela vazia, coração cheio de vontades. Como falar-se em trabalho para o menor, se para os milhares de maiores as portas do mercado de trabalho estão fechadas?
Como poderá esse menor relacionar trabalho com dignidade, se em sua mente não há esse tipo de registro? Será que a única alternativa para salvar os adolescentes do caminho das drogas e impedir que seus nomes constem nas ''listas macabras'' espalhadas por todo o país, é colocá-los para trabalhar? Evidente que não. Para que esse adolescente de hoje seja um homem digno amanhã, ele precisa de um lar, mas no verdadeiro sentido da palavra. Ter um lugar onde sinta-se seguro, sem precisar sair às ruas em busca do que não tem.
Há um outro lado nessa história. Diz-se que o adolescente é delinquente porque a lei o proíbe de trabalhar, de ganhar dinheiro de forma honesta. Mas o que dizer dos adolescentes delinquentes que estudam nos melhores colégios, têm pais que trabalham, moram bem, não precisam preocupar-se com dinheiro? Eles também saem às ruas para comprar e vender drogas. Também figuram nas ''listas macabras''.
Para extirpar o mal das drogas que domina os adolescentes, é necessário mais que trabalho. Então, qual a solução diante de tão grave problema? Alguém deixou de cumprir o seu papel. A sociedade como um todo chegou onde chegou é porque seus direitos e garantias fundamentais, dispostos no artigo 5º da Constituição Federal, não foram zelados e cumpridos por aqueles a quem poder para tanto lhes fora outorgado.
Espero que encontremos uma saída para este problema seríssimo que aflige todos os cidadãos de bem, pois o futuro de nosso país está nas mãos desses menores que não dão valor algum à vida ou porque esta não lhes sorriu ou porque sorriu-lhes demais!
CÁSSIA ROSSANA GUIDUGLI é estudante de direito na Faculdade Paranaense (FACCAR) em Rolândia

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