De Pareja a Marcinho VP Luiz Afonso S.P. Santos O País segue sem liderança nas áreas de Justiça e Segurança Pública. Enquanto a autoridade do Estado legal, fundamental para a manutenção da coesão social, esvai-se pelo ralo da complacência e da inércia, o Estado criminal, cada dia mais presente, armado e atuante, tem sua vontade de poder instigada pela facilidade e impunidade com que age, e vai absorvendo os flagelados da globalização, representados por um grande contingente urbano de desocupados e desempregados, que vão se transformando rapidamente de lumpemproletariado, numa força paramilitar latente sem qualquer controle social. Exatamente como se viu recentemente em São Paulo durante os incidentes provocados por perueiros clandestinos. Exceto os cidadãos (felizmente ainda a grande maioria) que, por formação religiosa, profissional ou familiar, cultuam o acatamento às leis independentemente da ação do Estado, os demais vão perdendo a noção sobre os parâmetros a ser respeitados. É o retrocesso à barbárie. Esta situação explosiva de anomia é potencializada pelas chamadas ‘‘tendências mundiais’’, emanadas de um novo centro do poder transnacional, representado por ONGs nacionais e estrangeiras – sem mandato popular, mas com ilimitados recursos financeiros – que não cobram os governos nacionais pelo avanço descontrolado da criminalidade ou pela impunidade dos criminosos, mas ao contrário, dedicam-se demagogicamente a denunciar as ações de combate ao crime e à subversão da ordem democrática como ‘‘violações dos direitos humanos’’ e se calam sobre as vítimas e sobre os lucros do crime organizado. Há, para quem quiser ver, uma nítida inversão de valores que se alastra, e vai produzindo, globalmente, seus rebentos ‘‘politicamente corretos’’ anti-repressão ao crime, que não têm noção da diferença entre o certo e o errado, entre o bem e o mal, e nada mais são do que os candidatos, conscientes ou não, a coveiros da atual civilização, abraçando a causa de uma contracultura indefinida, irracional e fascista, apresentada como ‘‘humanista’’ e ‘‘legalista’’, mas que tem como resultado prático a pura e simples demolição da ordem pública, pretendendo que em seu lugar surja ‘‘algo novo’’, e o único fato novo que vemos é a ampliação da área dos feudos do narcotráfico e do crime organizado. Os anti-heróis surgem como parte integrante desta corrente de contracultura, reverenciados por serem os inimigos da sociedade ‘‘injusta’’ e é natural sua simbiose com o irracionalismo ‘‘politicamente correto’’. São também naturais e coerentes com esta inversão de valores, a afronta à Nação feita pelo militante de direitos humanos em Goiás, que colocou a bandeira nacional sobre o caixão do ladrão e sequestrador Pareja; as ‘‘denúncias’’, sem fatos concretos, de muitos ‘‘civis’’ mortos pela Polícia, feitas pelo ouvidor de Polícia de São Paulo (enquanto policiais são executados por bandidos cada dia mais violentos); a proteção dada pelo cineasta ‘‘politicamente correto’’ João Moreira Salles ao narcotraficante Marcinho VP; e sua posterior defesa por membros da ONG antiarmas Viva Rio, que entenderam o ato criminoso como ‘‘um gesto humano’’. As coisas se aclaram, e já se tem insofismáveis evidências de quem é quem em relação à segurança pública. Apenas esperamos que o Ministério da Justiça rompa o silêncio e se manifeste sobre a atuação de seus aliados do Viva Rio no turvo episódio carioca, e, com o mesmo ímpeto com que atua politicamente contra cidadão honesto que tem armas legais, procure apurar quem são os que dão cobertura política e financeira ao traficante e assassino. Seria a ‘‘parte do Viva Rio’’ que defende a legalização das drogas, conforme confessou Rubens César Fernandes na Câmara dos Deputados? Com absoluta certeza não vão encontrá-los nas fileiras do ‘‘poderoso lobby das armas’’, onde apenas existem partidários da Lei e da Ordem, que nunca posaram hipocritamente de vestais nem se misturaram a criminosos, e que as têm para o esporte ou para se defender das dezenas de milhares de Pareja e Marcinho VP, os ‘‘heróis’’ que a inação do Estado mantém soltos pelas ruas. É importante também que a opinião pública se dê conta de que a gravidade da situação é muito maior do que o morticínio visto pelos noticiários e saiba separar o joio do trigo, entendendo quem, de fato, está com a sociedade e contra ela nesta guerra já em andamento no País. - LUIZ AFONSO S.P. SANTOS é filósofo em São Paulo e membro da Associação Paulista de Defesa dos Direitos e das Liberdades Individuais (Apaddi) e-mail - [email protected]

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