DE OLHO NO PACIENTE - Medindo a intensidade da dor
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 05 de setembro de 2008
Érika Gonçalves<br>Reportagem local 
Como medir algo tão subjetivo quanto a dor? Alguns sintomas clínicos podem indicar o grau de sofrimento de um paciente, como náuseas, queda de pressão, mas não dão a dimensão exata do problema. José Aparecido da Silva, psicólogo e professor da Universidade de São Paulo no Câmpus de Ribeirão Preto - SP, desenvolve um trabalho de avaliação e mensuração de fenômenos subjetivos. Em conjunto com outros pesquisadores, ele criou um livreto com exemplos de escalas que podem ser usadas para ajudar o paciente a mostrar como está se sentindo.
Por que a dor é considerada o quinto sinal vital?
A idéia é baseada num movimento que surgiu na década de 90, especialmente nos Estados Unidos e Canadá, de considerar a dor como um sinal que tem que ser registrado por todos os profissionais de saúde, tal como a temperatura, pressão, batimento cardíaco e a respiração.
Qual a importância de se mensurar a dor?
Para que o médico possa fazer o diagnóstico preciso, dar o medicamento correto, diminuir ou elevar a dose se necessário, acompanhar o procedimento terapêutico, interromper o tratamento quando necessário.
E como é feita essa medição?
É possível avaliar usando diferentes técnicas. Nós temos escalas variadas, que avaliam a dor em diferentes aspectos. Algumas dessas escalas são numéricas, por exemplo, registrar o quanto de dor você tem, em uma escala de um a dez. Outros são adjetivos, se a sua dor é muito intensa, pouco intensa.
Tem alguma dessas que o senhor considera a melhor ou a mais prática e eficaz?
A mais fácil para pessoas não leigas, no dia-a-dia, é a analógica-visual. É uma escala muito simples, todas as pessoas entendem como usá-la. O meu propósito é exatamente esse, mostrar que todos os profissionais de saúde e mesmo o paciente devem avaliar sua própria dor.
De que forma foram construídas as escalas?
Temos pesquisadores aqui em Ribeirão Preto que trabalham continuamente sobre avaliação e mensuração de dor, seja do ponto de vista clínico, seja do ponto de vista hospitalar. A nossa idéia, além de desenvolver pesquisa, é divulgar um livreto, que estamos distribuindo em todos os hospitais e clínicas, com o propósito de mostrar a dor como um parâmetro que tem que ser avaliado em todos os ambientes da saúde. Porque a dor é um elemento que 98% dos pacientes que procuram um médico, registram como primeiro sintoma.
Cada escala é para um público diferente?
Algumas são mais apropriadas para os profissionais de saúde. Outras, para o próprio paciente. Para quem não tem boa escolaridade, fica mais fácil usar figuras. Alguns pacientes não podem falar pelo próprio quadro clínico. A criança não verbaliza, ela tem dificuldade de expressar através da emoção, alguns pacientes têm doença degenerativa ou são muito idosos. Ai é bom usar a escala facial.
Já existem muitos profissionais usando este método?
Sim. Em alguns hospitais, como o Hospital das Clínicas de São Paulo, a dor é registrada por todos os profissionais de saúde. O paciente deu entrada, é obrigatório registrar a dor. O propósito é que todos os hospitais encampem essa idéia e todas as clínicas, postos de saúde, mensurem e avaliem a dor, porque é importante para melhorar a qualidade de vida do paciente e ajudar no diagnóstico e tratamento. Saber a dor antes e depois do tratamento é muito importante, inclusive para verificar se este foi eficaz ou não.


