DE OLHO NO FUTURO - Alimentos orgânicos devem chegar às escolas em agosto
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segunda-feira, 20 de julho de 2009
Eli Araujo<br>Reportagem local 
O aumento no consumo de produtos orgânicos deixa de ser uma tendência para se tornar uma realidade. A análise é do economista Lutero Couto, presidente do Parque de Tecnologia Social, com sede em Curitiba. A entidade, que detém a Griffe Orgânica, reúne dezenas de associações e cooperativas de pequenos produtores de todo o País.
Couto reconhece que os produtos orgânicos ainda são inacessíveis à maioria da população, mas acredita na mudança desse panorama. Ele esteve em Londrina semana passada para participar da Feira de Supermercados do Paraná.
Nesta entrevista, fala falou sobre a experiência pioneira de fornecer produtos orgânicos para uma loja do Grupo Muffato, a partir de hoje, em Curitiba, sem a presença de intermediários, e sobre a intenção de transformar Londrina em referência na produção de merenda escolar com orgânicos.
Como é o projeto de introduzir orgânicos nas escolas?
A Prefeitura nos procurou para que pudéssemos apoiar a introdução de alimentos orgânicos na merenda escolar. Temos um projeto que é apoiar as associações de produtores para venderem diretamente às escolas. Assim, os preços dos produtos orgânicos serão iguais ou pouco acima do preço do produto convencional. Se a Prefeitura fosse suprir de alimentos orgânicos com intermediários seria o dobro do preço. Estamos falando em um comércio justo do ponto de vista do produtor e na democratização do consumo de orgânicos. Não estamos dizendo que esses produtos são apenas para as classes A e B, e sim para toda a população.
E como será esse projeto?
A ideia é fazer uma experiência piloto em sete escolas municipais a partir de agosto. A proposta é organizar um programa que se chama Londrina Orgânica, com objetivo de apoiar a produção de orgânicos na região e de fazer com que todas as escolas públicas londrinenses tenham alimentos orgânicos até 2012. É importante destacar que a alimentação orgânica, além de ser boa para a saúde, cria um novo conceito de qualidade de vida para a população infantil e também forma um novo consumidor.
Conquistando as crianças fica mais fácil chegar aos pais?
Realmente. Na década de 1990, a província Emilia Romana, na Itália, decidiu fazer um grande projeto de apoio à produção de orgânicos. A estratégia foi usar a merenda escolar para criar demanda e com isso se formou uma escala de mercado. Hoje o projeto conta com 2.800 associações e cooperativas de pequenos produtores. Além de suprir o mercado interno de produtos orgânicos na Itália, ainda transformou o País no maior exportador de produtos orgânicos. Quer dizer, o programa Londrina Orgânica pode transformar o município em referência nacional de uma cidade saudável e sustentável. Não estamos falando em um projeto ''chapa branca'', mas em um projeto que deve ter o envolvimento da sociedade, da Prefeitura, dos produtores, de associações de consumidores, dos pais e mestres.
Hoje a sociedade está mais consciente sobre a importância dos produtos orgânicos?
A sociedade começa a ver que o mal alimento, ao longo de dez, 20 anos, aumenta a incidência de várias doenças, desde alergias até problemas mais graves, como alguns tipos de câncer. É preciso mostrar, na linguagem da população, os efeitos danosos dos agrotóxicos, dos aditivos químicos, de vários componentes que nós consumimos todos os dias. A partir daí precisamos fazer a reeducação alimentar para se ter uma população mais saudável.
Grandes redes de supermercados estão reservando espaços maiores para os orgânicos. O senhor acha que essa tendência é irreversível?
Diria que isso não é mais tendência, mas uma realidade. Tendência é algo que está se avolumando. Um exemplo prático: estabelecemos um acordo com o Grupo Super Muffato para abastecer todo o setor de orgânicos na loja Tarumã (em Curitiba). Ou seja é o produtor vendendo diretamente ao consumidor sem intermediários. Essa é a primeira experiência brasileira do setor a atingir as grandes redes de supermercados com preços adequados. No setor de negócios, se você faz uma boa parceria, os outros acabam seguindo, até por uma questão de concorrência.
Só que o produto orgânico ainda é considerado caro...
Vamos inverter essa realidade para dizer que produto orgânico é um produto que faz bem para as pessoas que trabalham na propriedade, para o consumidor, é bom para o meio ambiente, gera renda multiplicada para o pequeno produtor. É um grande projeto de inclusão social.


