DE OLHO NA BASE - Esporte e Educação caminham juntos
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 12 de outubro de 2007
Marco Feltrin<br>Reportagem Local 
Bicampeão Pan-americano e único nadador brasileiro a participar de cinco olimpíadas, o londrinense Rogério Romero deixou as piscinas e assumiu o desafio de comandar a secretaria de esportes do estado de Minas Gerais. Com a experiência de quem começou a nadar aos cinco anos de idade, Romero falou com exclusividade à FOLHA sobre a falta de incentivo ao esporte de base, colocando a escola como ferramenta principal na mudança deste cenário.
A falta de apoio foi o principal motivo que te fez sair de Londrina?
Na verdade o que realmente aconteceu foi que meu técnico aceitou uma proposta para um outro clube e teve uma conversa comigo a respeito do futuro de minha carreira. Ele ponderou se não seria o caso de buscar uma estrutura melhor e mais adequada - no caso o Clube do Golfinho, em Curitiba, que havia se consagrado como vice-campeão brasileiro, com um técnico de seleção. Conversei com meus pais e eles apoiaram a decisão desta mudança.
Mesmo após uma série de conquistas, você se sentiu desprestigiado aqui na cidade?Nunca senti isto. Pelo contrário, foram algumas homenagens e o reconhecimento que sempre colaboraram para eu ter orgulho de ser londrinense.
Londrina já foi uma cidade reveladora de talentos e hoje vive uma fase ruim no esporte de base. Por que a cidade chegou à esta condição, na sua opinião?
Infelizmente esta não é uma situação específica de Londrina, mas dos clubes como um todo. O esporte de alto rendimento foi sempre muito clubístico, mas o sistema mudou e a maioria dos clubes não suportou. Me magoa saber que dois clubes pelos quais passei não existem mais e eram referência: ACEL e Clube do Golfinho. O papel de cada um deve ser redefinido, pois da maneira como está os clubes têm cada vez mais despesas e responsabilidades e apenas aqueles melhores estruturados e organizados aguentaram esta nova carga.
Como surgiu a oportunidade de trabalhar como secretário do governo de Minas Gerais e quais projetos implantados já deram resultados positivos?
O Governador Aécio Neves me convidou para ser subsecretário de esportes após as Olimpíadas de Atenas em 2004. Em um primeiro momento, procurei analisar todos os projetos que estavam em andamento para então pegar os de maior relevância e alinhá-los no Programa Minas Olímpica, que começou com capacitação de 440 professores de educação física da rede pública estadual. O primeiro contato com o esporte deve ser nas escolas. Caso o aluno se interesse, aí devemos oportunizar outros espaços para sua prática.
O que poderia ser de certa forma copiado e dar certo aqui em Londrina?Vejo o projeto de escola em tempo integral como a grande oportunidade do esporte ser inserido de uma maneira planejada dentro do conteúdo programático escolar. Isto com certeza qualquer cidade pode implantar. Ficar apoiando esporadicamente, sem nenhum objetivo específico, pode até trazer frutos imediatos, mas alguém deve pensar no que aquela ação impacta para daqui cinco, dez anos.
Qual a importância da iniciativa privada na formação de novos talentos no esporte? Elas ainda não descobriram este potencial?
É fundamental para o desenvolvimento do esporte. As empresas têm hoje incentivos fiscais para dar sua contribuição, além de poder contar com os benefícios de comunicação através do esporte. Não tenho dúvidas de que é um mercado pouco explorado, e sua expansão dependerá cada vez mais de projetos profissionais. Seja qual for a intenção da empresa, marketing ou responsabilidade social, o esporte é reconhecidamente eficaz nesta comunicação.


