A inflação, depois que irrompe, é difícil de conter. Porque a onda de preços altos vai se propagando, uma coisa puxando a outra até não se poder mais identificar os pontos de origem. O Governo é um dos responsáveis pela retomada da inflação que ora ocorre, porque aumenta tarifas e o petróleo e não diminui seus gastos abusivos, mas ao contrário os aumenta, e tudo isto vai onerando o custo Brasil, pela exigência de mais impostos para cobrir esses rombos. Os brasileiros, que avaliam as coisas pelo que pesa diretamente no bolso quando vão às compras, ficam naturalmente preocupados, e não faltam os que temem os absurdos dos tempos do Governo Sarney, quando a inflação chegou a um pico de 80% ao mês.
  As condições da economia hoje são melhores mas ainda persiste a insegurança, e esse fator psicológico pode ser desastroso. Economistas ouvidos por este Jornal apontam que é preciso baixar a carga tributária, eliminar burocracias emperradoras, reduzir juros e intensificar programas de maior qualificação de trabalhadores, medidas necessárias para robustecer os alicerces do crescimento econômico. O Governo lança pacotes ditos desenvolvimentistas mas, paralelamente, cria novos impostos e agora mesmo se lança na ofensiva para gerar mais um, a Contribuição Social para a Saúde. Como o poder público não faz a sua parte, será preciso fazer recomendações ao povo para que gaste menos, não estoque produtos (pois dessa forma pressiona a demanda) e especule os preços, evitando o mais possível comprar a prazo, porque segmentos do comércio converteram-se em verdadeiros bancos e ganham não apenas com o natural porcentual de lucro mas também nos juros altos que o crediário rende. No Brasil ainda vigora uma memória de inflação descontrolada e isto é como uma planta que está sufocada porém viva, e que pode crescer mediante condições favoráveis.
  O Governo imagina que movendo dinheiro em obras públicas - como quer por via do PAC - irá por si só gerar dinamização econômica, mas não deve ser ele o agente direto desse processo. Porque esta é função do sistema empresarial, que tem know-how e não superfatura obras. O papel do Governo é antes de tudo propiciar ao setor produtivo nacional os favorecimentos legais, a desburocratização, os financiamentos oficiais onde necessários e diminuir impostos. Enfim, deixar que a iniciativa privada se mova livremente, que aí sim gerará crescimento seguro, contratará mais mão-de-obra, aumentará a produção e assim também gerará mais tributação. A partir daí, que o Governo realize suas obras e melhore os serviços de atendimento aos cidadãos. O poder público tem de situar-se como um agente intermediador, oferecer garantias por via de bem elaboradas políticas públicas e deixar que a cadeia produtiva - agricultura, indústria, comércio e serviços - acione suas alavancas e produza em paz e com segurança. Basta que não atrapalhe, e os brasileiros saberão dar sua resposta.

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