Pouca coisa deve ter irritado tanto a presidente Dilma Rousseff (PT) nesses últimos dias de 2012 quanto assistir, dia 26 de dezembro, às imagens da falta de energia no Aeroporto Internacional Tom Jobim (Galeão), no Rio de Janeiro. Embarques e desembarques atrasaram e, no verão mais quente da Cidade Maravilhosa desde 1915, o funcionamento do sistema de ar-condicionado do aeroporto demorou para ser restabelecido e turistas que lotavam o local um dia após o Natal passaram por um grande desconforto. Não deu para evitar o ''imagina na Copa'' e só para lembrar que as próximas Olimpíadas acontecerão ali mesmo, no Rio de Janeiro.
No final de outubro, um ''apagão'' deixou sem luz o Norte e o Nordeste do Brasil por cerca de quatro horas. Segundo explicações do gerenciador do sistema, o problema teria sido causado por uma descarga elétrica.
O baixo crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) e as falhas do sistema elétrico brasileiro são casos que a presidente não gostaria de justificar nos últimos dias do ano. O problema é que Dilma, ex-ministra de Minas e Energia do governo Lula, não convenceu nas explicações que deu à imprensa, semana passada, durante um café da manhã com jornalistas. Ela aconselhou os repórteres a ''gargalharem'' quando ouvirem alguém dizendo que um raio provocou a queda da transmissão de energia.
Para a presidente, o apagão de outubro e o problema no Galeão foram provocados por ''falha humana''. Ouvindo isso, em um primeiro momento, a tendência da população é culpar os técnicos que ligam ou desligam os botões no aeroporto ou em alguma subestação. Mas falha humana também pode significar decisões equivocadas, falta de investimentos e tantas outros fatores que envolvem humanos mais graduados, como empresários do setor privado e representantes do setor público, entre eles secretários, ministros e até presidentes da República.

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