Em ano eleitoral, faltando 48 dias para o pleito de 5 de outubro, o Governo estadual peemedebista acaba de assinar ordem de serviço para implantação da primeira fase do tão propagandeado Jardim Botânico de Londrina. O PMDB tem candidato à Prefeitura e o momento é propício para reacender a idéia de que, afinal, o empreendimento se torne realidade. Porque já faz cinco anos que o projeto foi lançado, mas por ora a única coisa existente é a que a natureza construiu: o terreno. Bom dinheiro e papel foram gastos em publicidade, parecendo obra já concluída.

O projeto tem sido anunciado como a mais completa estação ambiental suburbana do Paraná. Agora, a empresa curitibana vencedora da licitação informa que em pouco menos de um ano entregará a sede administrativa, dois lagos, trilha para pedestres e ciclovias. Orçado em R$ 10,5 milhões, o Jardim Botânico já teve duas tentativas frustradas de licitação, e como o momento é de campanha política, não faltam os que descrêem que agora o empreendimento saia da prancheta. A primeira parte compreende as obras físicas e a segunda será a da instalação das estruturas de educação e pesquisa.

Muitos consideram essa obra desnecessária, porque se é projetada para ter também setores educacionais e de pesquisa, será basicamente um espaço de lazer. E ocorre que parques mais ou menos semelhantes já existem em Londrina, e sem grandes equipamentos paralelos de atração e com pouca visitação pública. Casos do Parque Arthur Thomas e da Mata dos Godoy. Esta especialmente - agora um patrimônio público - é um jardim botânico natural, situado não muito longe do centro e com comunicação por asfalto, mas não recebeu a mínima estrutura para desfrute dos visitantes. Se é uma área natural preservada, não há impedimento para que seja visitada, resguardando-se os limites, mas ela ali está e ninguém a conhece. O Jardim Botânico poderá ter o mesmo destino se, implantado, não receba o trato necessário. É obra que se converteu em novela de longa duração, porque já teve duas licitações fracassadas e, até aqui, é apenas uma promessa. Por isso acredita-se que agora os londrinenses queiram ver para crer.

Esses comentários não visam detonar o projeto - e é óbvio que melhor será Londrina ter mais essa estrutura ambiental e de contemplação - mas como volta-se a falar dela justamente em época de campanha política, dá margem a dúvidas. É esperar para ver se, independente do resultado das urnas, a obra será iniciada.

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