De novo a inflação
O segundo semestre começou com mais uma preocupação no cenário econômico:
a inflação. O IPCA (índice oficial de inflação, medido mensalmente pelo
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), divulgado na última
sexta-feira, aponta para uma alta de 0,26% em junho. O percentual é menor
do que os 0,37% de maio, mas bem maior ao do mesmo mês do ano passado,
quando o apurado ficou em 0,08%. No entanto, a preocupação é com o
acumulado dos últimos 12 meses, que ficou em 6,7%, acima do teto da meta
estipulada pelo governo que é de 6,5% para este ano. O centro da meta é de
4,5% ao ano, com margem de dois pontos percentuais para cima ou para
baixo.
Ao indicador, que afeta diretamente o potencial de consumo das famílias,
soma-se a vários outros fatores que ajudam a medir o desempenho da
economia, como o resultado do Produto Interno Bruto (PIB), saldo da
balança comercial, produção industrial, cotação do dólar, geração de
emprego, entre vários outros itens. E, nesse quesito, também há
preocupação. Há tempos não eram registrados tantos itens negativos. Sinal
de que o atual modelo de política econômica está esgotado. O estímulo ao
consumo, a partir de desonerações tributárias, fiscais e crédito farto,
foi um fator positivo porque elevou a qualidade de vida da população, mas
também contribuiu para o endividamento das famílias. Agora com preços em
alta, a demanda ficará apenas para produtos essenciais. Já passou da hora
de se investir em novos modelos.
A influência da variação cambial que ainda não afetou o desempenho da
economia irá refletir diretamente nos custos da produção industrial e do
agronegócio, impactando diretamente nos preços do mercado interno e nas
exportações. Será preciso a adoção de medidas bem mais criativas do que as
demonstradas até agora. O que resta saber se elas virão no tempo
necessário.





